sábado, 5 de abril de 2014

St. Pete 2014: só com câmeras onboard

DEMONSTRAÇÃO - De como é fácil guiar um carro de Indy na atualidade. Curvas para o mesmo lado, poucos esforços, pistas lisinhas para evitar barbeiragens dos "braço-duro" da categoria, enfim, não se salva um. Moleza guiar nessa categoria de monopostos americana que só corre em ovais.

Lakewood 1946 e o 'big one' maligno


NO DIA DO TRABALHO - Era dia 2 de Setembro de 1946 e o promotor de corridas Sam Nunis resolveu levar para o famoso e traiçoeiro oval de terra de Lakewood, Atlanta, uma corrida com carros de Indianapolis. O evento contaria com grandes nomes do automobilismo americano do pós-Guerra como o mito das "dirt tracks" Ted Horn (ganhador do Campeonato de Indycars sancionado pela AAA em 1946, 1947 e 1948; Horn marcou em sua carreira 24 vitórias, 12 vezes em segundo lugar e mais 13 vezes em terceiro. Ele só não foi mais glorioso porque morreria no dia 10 de Outubro de 1948 disputando uma corrida no clássico oval de terra de DuQuoin State Fairgrounds Racetrack, região próxima onde nasceu o personagem Michael Myers de John Carpenter rs), o inglês George Robson campeão da primeira 500 Milhas de Indianapolis depois da Segunda Grande Guerra (que ocorreu meses antes dessa etapa) e o popular ciclista texano George Barringer.

Foto da esquerda: Barringer/ foto da direita: Robson

Nesta corrida em Atlanta, anunciada pelo promotor Nunis como "a Indianapolis do Sul", os competidores usariam carros antigos da Indy já que a escassez de recursos naquele período de reconstrução da economia mundial era grande e o jeito foi reaproveitar o que tinham disponíveis nas garagens dos times. Com isso, George Robson acabou competindo no carro que foi campeão das 500 Milhas de 1938 guiado por Floyd Roberts. O problema é que foi nesse mesmo carro que Floyd havia morrido em 1939, disputando as 500 Milhas, como você pode ver nesse vídeo AQUI

Também foi convidado a participar da corrida o ciclista texano George Barringer, que havia feito meses antes as 500 Milhas de Indianapolis de 1946 com o famoso "Tucker Torpedo Special" de motor traseiro, construído por Harry Miller. Mas Barringer não teve sorte nessa sua tentativa em Indianapolis já que poucas voltas depois da largada seu carro abandonaria devido a uma falha mecânica irreparável. Porém, para o evento de Lakewood, Barringer não guiaria o carro de Miller e sim um carro feito pelo tricampeão de Indianapolis, o mitológico Wilbur Shaw. Com esse modelo de 1937 Wilbur havia conseguido uma vitória nas 500 Milhas de 1937 e um segundo lugar no ano de 1938. Ao todo eram três carros no grid para a Lakewood 100 que haviam vencido as 500 Milhas de Indianapolis, sendo esse um dos motivos que fez o esperto promotor Sam Nunis explorar a prova como a "Indianapolis do Sul" durante seus eventos promocionais.

Contudo, diferente de Indianapolis, a pista de Lakewood tinha algumas características que deixava ela traiçoeira e perigosa para carros tão velozes quanto eram os carros de Indianapolis na época. Uma das características preocupantes dessa pista para a corrida do Dia do Trabalho de 1946 era que o barro do antigo traçado estava desgastado demais e isso contribuiu para que quando os pilotos completassem as primeiras voltas da corrida mais ninguém da arquibancada ou de qualquer outro ponto do lugar conseguia distinguir com clareza o que se passava com os carros que duelavam freneticamente em meio a uma imensa nuvem de poeira alaranjada.

O ingrediente perfeito para o "big one" maligno estava acrescentado ao destino de alguns pilotos.


Faltando poucas voltas para o fim da corrida, o piloto Billy DeVore teve problemas no motor do seu carro de cor laranja similar a cor das abóboras que costumamos ver no dia das Bruxas americano e entrou nos boxes. Porém, o dono da equipe, querendo uma premiação maior para o carro, exigiu que o piloto voltasse para a pista e finalizasse a corrida no melhor lugar possível. Essa foi a ganância que custou duas vidas.

DeVore, então, saiu dos boxes e se posicionou na linha inferior do traçado oval, a fim de não atrapalhar quem estivesse mais rápido e ainda assim conquistar uma melhor colocação para o carro. O carro de Billy estava bem mais lento que os demais, a poeira alaranjada não permitia uma boa visibilidade para ninguém e George Robson que vinha atrás de DeVore não conseguiu observar a tempo a situação crítica do carro laranja para desacelerar e ultrapassar sem maiores danos. Ao contrário, quase em cima de DeVore, George instintivamente tirou seu carro para a direita, tentando no último momento evitar a colisão, e nesse desvio de rota atingiu o carro de Barringer. O contato lateral das rodas foi inevitável entre os dois carros.

O carro desgovernado de Robson ricocheteou no carro de Barringer a mais de 100 milhas por hora e voltou para a linha interna, acertando em cheio o carro lento de DeVore. A pancada foi tão monstruosa que o carro de DeVore capotou várias vezes e terminou de cabeça para baixo em uma vala com três metros de água parada, na parte interna da pista. Fãs que invadiram a pista após o acidente conseguiram resgatar DeVore.

Destino mais terrível teve o então atual campeão de Indianapolis neste acidente: enquanto o carro capotava seu corpo foi arremessado para o meio da pista e seu corpo atropelado por no mínimo dois carros que cruzavam os destroços em meio a nuvem de fumaça e poeira. Barringer, que teve o contato inicial com Robson, bateu no muro e ficou atravessado na pista até ser atingido em cheio por Bud Bardowski, que mal sabia da carnificina que acontecia dentro daquela nuvem laranja de poeira. Bardowski arrastou o carro de Barringer por centenas de metros até parar em frente aos pits.

Bardowski e DeVore saíram com vida do acidente, sem lesões graves pelo corpo: Bud com cortes faciais e Billy com uma clavícula quebrada. Já Robson e Barringer não tiveram a mesma sorte, ambos mortos em consequência de terríveis lesões, principalmente Robson que foi estraçalhado na pista depois do atropelamento.

Ted Horn, que liderava a prova até o momento do acidente, bateu em alguns destroços espalhados na pista, estacionou o carro e tentou fazer sinal para que os demais pilotos diminuíssem a velocidade para não se envolver no acidente. Horn, depois de voltar ao cockpit e terminar as voltas restantes, foi declarado vencedor da Lakewood 100, poém, depois de uma semana a vitória foi dada a George Conner, que protestou contra o resultado final.

A última corrida realizada em Lakewood foi em 1979 e hoje restam poucos trechos da antiga "Indianapolis do Sul". No lugar onde Robson e Barringer perderam suas vidas existe hoje um estacionamento de teatro.

Trechos da prova trágica de 1946

Ironia ou coincidência, esse ano a Indy terminará exatamente no Dia do Trabalho, no oval de Fontana!






    

segunda-feira, 31 de março de 2014

Os Donos de Long Beach


QUEM MAIS VENCEU EM LONG BEACH? - Sabemos que, antes da Indy/CART encaixar a etapa na beira da praia no seu calendário, a F1 - razão fundamental para o nascimento desse circuito de rua - correu 8 vezes na pista de Long Beach. O piloto suíço Clay Regazzoni no ano de 1976 venceu a primeira corrida da história dessa pista. Os demais vencedores pela Fórmula 1 foram, na ordem: Mario Andretti em 1977; Carlos Reutemann em 1978; Gilles Villeneuve em 1979; Nelson Piquet em 1980; Alan Jones em 1981; Nikki Lauda em 1982, John Watson em 1983.

F1 em Long Beach, 1979

Como sempre acontece com as corridas da F1 nos Estados Unidos, essa também teve prazo de validade, e quando esse prazo venceu (mesmo as arquibancadas sempre lotadas como os queridos leitores deste blog podem ver na imagem postada logo acima) a corrida passou a ser sancionada pela categoria americana de monopostos que corre em ovais. De 1984 até 2013 foram 30 edições sancionadas pela CART/CHAMP CAR e, atualmente, pela Indycar (conhecida até 2009 como "IRL" ou Indy Race League), sendo Al Unser Junior o maior campeão da "Praia Grande" americana até hoje, somando eventos da F1 e da Indy. Paul Tracy foi quem mais perto chegou de quebrar o reinado do herdeiro da família Unser. Confira a seguir os vencedores de todas as etapas de carros de Indy em Long Beach que foram sancionadas ou pela CART ou pela IRL. 








Long Beach será a próxima etapa do calendário 2014 da Indycar Series, dia 13 de Abril. Conseguirá Power entrar na galeria dos tricampeões da pista ou será mais fácil Bourdais buscar sua quarta vitória e se igualar a Mario e a Tracy? Essa corrida promete muitas emoções!


NOS TEMPOS DA CART - Melhores momentos de Juan Pablo na sua meteórica carreira na Indy/CART

MONSTROYA - Manobras espetaculares, tretas dentro e fora da pista com Michael Andretti, momentos incríveis que este colombiano proporcionou há uma porrada de anos atrás. Vale a pena perder 48 minutos da sua vida vendo essa pérola editada por um fã do piloto. 

Psico-Power: o Rei Maluco das pistas de ruas



PODEROSO WILL - Com a vitória de ontem em St. Petersburg o australiano Will Power chegou a décima segunda vitória nas pistas de rua em sua carreira de 9 anos no automobilismo americano. Power ainda conquistou nesse tipo de traçado sete TOP 5. 

E uma das pistas de rua preferida no gosto de Will é justamente Long Beach, a próxima etapa do campeonato de 2014. Até hoje ele participou de 8 edições do Grande Prêmio de Long Beach e conquistou ali: 

- um nono lugar em 2006 com a equipe Walker, usando o chassi Lola e motor Ford; 
- em 2007 foi terceiro colocado usando um Panoz/Cosworth;
- em 2008 venceu pela primeira vez na famosa pista, no evento fúnebre da então moribunda Champ Car. Usou para tal feito o mesmo carro de 2007;
- em 2009 Power inicia a saga defendendo a equipe Penske e logo na segunda corrida com o time de Roger alcança o segundo posto na Praia Grande. Usava então chassi Dallara e motor Honda;
- em 2010 o australiano novamente consegue o pódio, agora em terceiro lugar;
- em 2011 veio uma fraca participação de Power em Long Beach, o australiano chega apenas no décimo posto;
- em 2012 a terceira vitória do piloto da Penske é anotada nas páginas de seu currículo;
- em 2013 o pior resultado: décimo sexto lugar. 


Apesar dos três vices (2010, 2011 e 2012), Will Power tem a capacidade extraordinária de, invariavelmente, estar disputando vitórias e poles em qualquer uma das pistas mistas/rua do calendário. No geral, computando toda sua carreira nos monopostos americanos, Will soma 32 poles e 22 vitórias, e faz isso com uma idade bem inferior que a de seus concorrentes. O título em sua carreira é questão de tempo, ainda mais se conseguir correr bem em pistas ovais. Ter vencido as 500 Milhas de Fontana, uma das melhores corridas ovais dos últimos 15 anos, evidencia a capacidade de evolução que possui o australiano. Power ainda tem no currículo 55 vezes no TOP 5, além de 76 vezes no TOP 10, entre 2005 e 2014. De fato são números expressivos e dignos de um grande piloto, fosse qualquer categoria que ele corresse.

Panorâmica da carreira do Poderoso Will

Ontem em St. Pete


      

domingo, 30 de março de 2014

Penske começa o ano afiada com a sua dupla de 'malucos' Helio & Power


UMA DUPLA QUE PROMETE! - A corrida de St. Pete foi de alto nível e competitiva, com apenas duas bandeiras amarelas durante 110 voltas e pilotos sendo exigidos ao máximo na parte física. As primeiras 31 voltas tivemos um piloto dominante: Takuma Sato. Na parte do fundão o destaque depois da largada foi totalmente para Graham Rahal que largou em 21º e antes do fim da primeira volta estava ocupando o 11º posto. 

Mas quando Will Power assumiu a liderança na volta 58, tirando ela novamente de Sato, ninguém mais incomodou o australiano. Caçador depois da corrida disse que não tinha carro para chegar e passar Power, apesar da excelente corrida que o time da Andretti proporcionou a ele. Atrás do DW12 amarelo veio Helio, que fechou o pódio na terceira posição e deixou uma boa impressão do time da Penske para 2014. A dobradinha não aconteceu por uma bobeada do brasileiro na última relargada após o acidente de Jack Hawk com Marco Andretti. Montoya foi apenas discreto fechando numa singela 15º.

O último ganhador do GP de St. Pete, James Hinchcliffe, lutou muito contra as adversidades para fechar em 19º. Já Takuma Sato, que foi pole esse ano, terminou em 7º depois de liderar 33 voltas. Outro de time nanico que se destacou foi Simon Pagenaud, com o Smurf-Car, que como quem não quer nada se intrometeu ali no TOP 5 e arrancou Tony Kanaan da gloriosa zona dos cinco melhores da corrida.

Ainda é o começo da temporada, muitos quilômetros ainda vão rolar, foi só a primeira corrida, mas dá para ter certeza de que o time Penske vem para esse ano com o intuito de limpar sua fama de Vice-da-Gama e a Ganassi permanece fria como víboras só esperando o desenrolar do certame. Dixon foi quarto e TK sexto, ambos ainda tem muito a crescer, principalmente o baiano.



Zach Veach fatura a primeira corrida da Indy Lights


TRIUNFO DO NANICO! - E não é que um dos queridos da Andretti faturou a primeira etapa do Campeonato 2014 da Indy Lights? Zach Veach fez a pole no sábado e de ponta a ponta dominou a corrida neste domingo, sem dar muitas chances para o rival Gabby Chaves que foi o segundo. Ambos abriram uma larga vantagem para o terceiro colocado e para todo pelotão restante que vinha logo atrás e que duelou pelas demais posições até o fim. O brasileiro Luiz Razia conseguiu marcar o seu primeiro TOP 5 em sua primeira corrida. Bom resultado já que não conhecia a pista. O resultado final foi esse: