terça-feira, 22 de abril de 2014

Rex Mays: um mito da Indy que jamais venceu em Indianapolis


MITO REX! - Como piloto, Rex Mays foi mais complexo do que os carros que guiava; como pessoa, ele tinha a fama de ser um sujeito imparcial, virtuoso e airoso. Nascido em Riverside, em 1913, Rex logo se tornou o piloto a ser batido nas pistas do sul da Califórnia. Ele ganhou o Pacific Coast Championship da AAA em 1934 e 1935 (uma espécie de “Indy Lights” do período), e foram essas conquistas que o levaram a ter chance de correr nos potentes carros da Indy em 1934. Sua segunda corrida em Indianapolis foi típica de um novato rodeado pela sorte: Mays fez a pole e liderou até o momento que problemas mecânicos afetaram o rendimento do seu carro, pouco depois da metade das 500 Milhas percorridas.

Rex participou doze vezes da tradicional prova em Indianapolis e, embora a vitória tenha lhe escapado sempre nas 500 Milhas, foi Rex o primeiro piloto a fazer quatro vezes a pole (1935, 1936, 1940 e 1948), e esse recorde ficou solitário até vinte sete anos depois de sua morte, quando AJ. Foyt finalmente o igualou. Rick Mears só iria quebrá-lo 41 anos depois. Apesar dos vários azares que teve durante as 500 milhas, o piloto californiano chegou duas vezes em segundo lugar (1940 e 1941) e marcou um sexto em 1947, sendo esses seus melhores resultados. Mays liderou as 500 Milhas por nove vezes dentro dessas doze edições, somando um total de 266 voltas na liderança.


Mas foi fora de Indianapolis que Rex Mays se transformou em um herói para os jovens indyanistas fanáticos por corridas naquela época. Entre 1934 e 1949, ano de seu acidente fatal, Mays anotou 57 largadas pela Indycar sancionada pela AAA, alcançando 8 vitórias (todas em ovais de terra, as famosas dirt tracks), 8 vezes em segundo lugar (seis vezes em ovais de terra e duas vezes em oval asfaltado), 3 vezes em terceiro lugar (duas vezes em oval de terra e uma vez em pista mista, mais especificamente em Westbury pela Vanderbilt Cup) e 3 vezes em quarto lugar (todas em ovais de terra). Além disso, Rex tem a expressiva marca de 19 poles ao longo de sua carreira e, mais importante de tudo, ser bicampeão do campeonato da Indy, em 1940 e 1941, contra Ted Horn e Wilbur Shaw, que eram outras lendas do automobilismo americano.


Tazio Nuvolari ficou tão impressionado com o talento de Mays que disse na época da participação do americano na Copa Vanderbilt “penso que o resultado da corrida poderia ter sido diferente se Rex Mays tivesse um carro de Grand Prix adequado ao invés desse velho Alfa Romeo”. Nesse período das corridas de Grand Prix o domínio era dos carros patrocinados pelo governo alemão, Auto Union e Mercedes, e o feito de Mays deixou uma impressão excelente para aqueles que acompanhavam o automobilismo ao redor do mundo.

Vanderbilt Cup de 1937 em Nova York

Outro fato marcante na carreira de Rex aconteceu em 1948 no famoso oval de uma milha de Milwaukee. Mays lutava pela liderança da prova quando o piloto Duke Dinsmore perdeu o controle do carro e foi arremessado para o meio da pista (naquele tempo não se usava cinto de segurança). Para não estraçalhar o corpo ferido de Duke, indefeso no meio de uma nuvem laranja de poeira, Rex jogou seu próprio carro no muro e depois arriscou a própria vida ao sair do carro e direcionar o tráfego dos demais carros para longe de Duke até que o resgate socorresse o piloto. Uma placa foi colocada no muro da pista para comemorar heroísmo de Rex Mays.

Placa em homenagem a Rex Mays 
por salvar a vida de Duke Dinsmore, Milwaukee 

Porém, em 6 de novembro de 1949 chegava ao fim a gloriosa e emocionante carreira desse mito da Indy. Rex Mays participava da corrida em Del Mar (na Califórnia), lutava como sempre por ultrapassar seus oponentes, quando na décima terceira volta a roda do seu carro travou em um barranco de terra na parte interna da pista e seu carro capotou. Sem cinto de segurança, Rex foi jogado para o meio da pista. Johnny Parsons conseguiu escapar pelo lado de fora. Mas George Connors e Paul Russo, que vinham logo atrás, não conseguiram evitar o atropelamento do corpo prostrado de Mays. Rex já estava morto quando o resgate chegou para socorrê-lo.
Sequência de imagens do acidente fatal 
de Rex Mays em Del Mar, Califórnia

Então com 36 anos de idade, Mays deixou para trás sua mulher de 16 anos, Dorothy, e dois filhos pequenos. Os dirigentes da Indy posteriormente usaram seu nome para nomear corridas em Milwaukee e Riverside, terra natal do piloto californiano.
Rex Mays em seu último momento antes da morte 

Depois desse acidente de Rex o uso de cinto de segurança passou a ser item obrigatório nos carros da Indy.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"Niki" Conway vence a quadragésima edição do GP de Long Beach


CARRO-CACHAÇA WINS!Quando Ed Carpenter desistiu de participar do campeonato completo da Indy e contratou o britânico Mike Conway para guiar o “carro-cachaça” number #20, uma revelação me foi enviada por "Jesus" Foyt com sua voz rouca e profética:

Essa é a união perfeita entre dois pilotos deficientes - um que não sabe virar pros dois lados e o outro que tem medo de virar só para a esquerda -, essa será a surpresa de 2014 nas pistas mistas e ovais!
 


Mike tinha feito na temporada passada sete corridas na Indy, antes de ser contratado por Ed. Sem contar nessa lista de corridas, é claro, os temíveis ovais. Nessas suas sete participações o britânico marcou: uma vitória com uma Dale Coyne (o mesmo carro que a Bia guiava, inclusive ele tava pintado com as cores do posto Ipiranga quando Mike venceu em Detroit e na segunda prova pegou um terceiro lugar), dois pódios e quatro TOP 10. Nada mal para alguém que corria esporadicamente na categoria. Era o homem ideal para tornar a Ed Carpenter Racing (ECR) uma ameaça real em qualquer tipo de traçado para as dominantes Ganassi, Penske e Andretti.

E ontem essa ameaça monstruosa apresentou suas cartas em Long Beach. Conway teve paciência budista para esperar a decisão difícil que Dixon teve que tomar: reabastecimento faltando três voltas da bandeira quadriculada. Oh, shit, Kiwi! Essa paciência budista faltou ao Caçador quando ele atabalhoadamente provocou um acidente que tirou da prova, numa tacada só, Newgarden, Sato, Hinch, Hawk, TK e ele mesmo. De um lado, Sarah Fisher esmurrou o monitor, enfurecida, emputecida; do outro, um Michael Andretti com semblante de decepção ao ver seu piloto cometer uma cagada gigante que tirou dois de seus carros da pista no momento em que a Andretti estava afiadíssima para fazer uma dobradinha. 

A “meleca” do Caçador em Long Beach

Todo esse caos, característico das pistas de rua da Indy, permitiu ao time de Ed, com uma boa estratégia de troca de pneus e reabastecimento, galgar posições preciosas no competitivo pelotão da frente e se posicionar em um confortável segundo lugar faltando menos de 15 voltas pro fim. Daí pra frente Dixon liderou sempre pressionado por Mike e Power, até faltar duas voltas e a Ganassi chamá-lo para o reabastecimento, dando a vitória nas mãos de Conway. O time de Ed teve um papel decisivo ao ordenar que o piloto britânico não atacasse Dixon, pois o time de Chip se movimentava nos pits para fazer reabastecimento no carro #9.

"Niki" Conway comemorando

"Eu nunca venci uma corrida no início da temporada", disse Carpenter emocionado. "Normalmente nosso time ganha no final do ano. Então isso é muito emocionante e mostra que a nossa decisão valeu muito a pena."
 Homenagem que o time ECR fez ao falecido piloto da Nascar
Jason Leffler em Long Beach. 

A contratação de Mike deu a Ed flexibilidade, liberdade e capacidade para se concentrar mais no lado empresarial do time ECR, fator esse que proporcionará a Carpenter contar com um segundo carro nas 500 Milhas de Indianápolis de 2014. JR “Walldebrand” tentará sua redenção justamente em um time redentor de pilotos até agora! Ano passado Ed conquistou a pole das 500 Milhas, porém, como uma equipe de um carro apenas, não tinha ninguém para trabalhar junto os ajustes do carro durante os preparativos para a corrida e ele conseguiu só um honroso 10º lugar.

A próxima etapa da Indy é no Alabama, terra da banda Lynyrd Skynyrd. Sabe qual é o currículo de Mike lá?

Em 2010 largou em 2º e terminou em 9º
Em 2011 largou em 16º terminou em 22º
Em 2012 largou em 4º terminou em 7º
Em 2013 Mike não correu em Barber
Em 2014: um dos favoritos?
Mike e a namorada em Long Beach

"Nós temos um bom grupo de pessoas. Grandes engenheiros a bordo e que estão trabalhando muito duro. Se você tem essa coesão e a ‘fome de vencer’ dentro da equipe, você pode definitivamente alcançar qualquer coisa." finalizou o bicampeão de Long Beach. 

CLASSIFICAÇÃO DO CAMPEONATO
TOP 8

sábado, 12 de abril de 2014

NOS TEMPOS DA USAC - Primeira fila das 500 Milhas de 1962

MAIS UM - Da série "Homenagens aos tempos áureos da Indycar". Escolhi uma foto da década dourada da prova mais importante do automobilismo americano, pouco antes da largada. Com destaque para a velocidade média obtida por Parnelli Jones. Fiz questão de converter milhas por quilômetros porque muitas vezes as pessoas parecem não perceber ou entender o quão velozes eram esses carros naquela época. Mais detalhes sobre essa edição das 500 Milhas você encontra a seguir:

Melhores momentos da 46º edição das 500 Milhas

RESULTADO FINAL

sexta-feira, 11 de abril de 2014

No capacete do Pagenaud em Long Beach

MARAVILHA! - Esse é o modo atual mais espetacular para se ver toda dificuldade do piloto guiar um Indycar em ruas estreitas. É aumentar o som e curtir!

NOS TEMPOS DA USAC - O grid das 500 Milhas de 1968


ERA DE OURO! - A 52º edição das 500 Milhas de Indianapolis foi realizada numa quinta-feira em 1968. Segundo ano que o carro STP turbina de Andy Granatelli dominou a prova, mas na volta 174 o motor turbina de Lloyd Rubi falhou deixando a chance de vitória para a Lotus 56 guiada por Joe Leonard. Entretanto, na volta 190 foi a vez do carro de Leonard falhar e a vitória assim cair no colo do sortudo e sempre constante Bobby Unser. Esse foi o ano em que pela última vez na história participou da corrida um carro de motor dianteiro, o piloto que o guiou foi Jim Hurtubise. 

Melhores momentos da edição de 1968


quarta-feira, 9 de abril de 2014

A perspectiva do artista Slater Bradley sobre as 500 Milhas de Indianapolis


NÃO PERCA! - Slater é um conhecido artista americano que trabalha em diversas áreas das expressões artísticas. Para se expressar ele utiliza fotografia, cinema, desenho, pintura, vídeo, etc, na produção da arte que percebe no mundo. Apelidado de "o rei não intencional do acaso" Bradley foi convidado pelo amigo Townsend Bell a participar das 500 Milhas de 2012, ainda quando Barrichello estava por lá e justo naquela edição em que o Sato perdeu pro Dario a corrida da sua vida, e evidentemente que quando um artista desse nível participa de um evento tão fascinante como as 500 Milhas só poderia rolar uma nova "obra-de-arte" admirável tanto visual como sonoramente!

Slater Bradley e, de chapéu, Ed Lachman

Você é fã de Indy? Então não perca a entrevista completa com Slater Bradley e o vídeo completo com essa obra magnífica relacionada a Indianapolis NESSE LINK da Forbes

O MAPA DA PISTA - Long Beach com Graham Rahal



CONHEÇA A "MÔNACO DA AMÉRICA" - Volta dada por Graham Rahal ano passado em Long Beach e que serve para substituir nesse ano a volta virtual da IZOD. Melhor assim, não acha?


MAPA DA PISTA