segunda-feira, 23 de maio de 2016

GP de Indianapolis 2016: Sapo rumo ao título da Indy


TRÊS VITÓRIAS SEGUIDAS - E Pagenaud hoje é o piloto número 1 da Penske e do Campeonato. Depois de um 2015 complicado e com resultados decepcionantes, hoje Sapo é o piloto a ser batido na Indy, herdou a posição de protagonista deixada por Power nessa temporada e parece estar mais do que imbatível em mistos e pistas de rua. Nos ovais Pagenaud ainda precisa de uma vitória para deslanchar. E por falar em Power, que campeonato meia-boca vem fazendo o Poderoso Will, né? Nem perto de lembrar os desempenhos insanos de anos passados. Nem nos treinos livres Power consegue aparecer com frequência entre os primeiros.

A corrida foi a típica corrida em misto com carros de Indianapolis: estratégias contando muito, diversas ultrapassagens entre os carros das posições intermediárias e algumas amarelas para temperar o prato do fim de semana. Com um carro irregular durante os treinos livres e classificatório, Helio Castroneves brilhou e por alguns segundos deixou escapar a primeira posição após Roger Penske e o time Penske dar um show de eficiência e tirar o brasileiro do meio do pelotão para a segunda posição da corrida. De tirar o chapéu!

Na terceira posição veio o Prefeito Hinch e seu carro dourado para lembrar a todos que o canadense está pronto pra lutar por vitórias na Indy e trazer o time de Sam Schmitd de volta aos grandes resultados. Rahal, que largou lá do fundão depois de ser punido, brilhou mais uma vez e deixou registrada outra atuação de gala do jovem piloto com nome famoso no mundo da velocidade. 


A cada dia que passa me impressiona mais o desenvolvimento tanto do piloto Graham quanto do time RLL. Entretanto, na minha opinião, falta um companheiro de time e o melhor a ser escolhido é justamente Pigot, que participou no segundo carro do time do tio Bobby Rahal e, diga-se de passagem, foi muito bem no misto de Indianapolis. Spencer terminou em 11º lugar e demonstrou mais uma vez capacidade de chegar a resultados impressionantes se tiver tempo e espaço na categoria. Abre o bolso Letterman!!!

Coisa linda também foi ver nosso amado "time mais pobre da Indy" comandando a corrida com o carro #18 do Dale Coyne por exatas 14 voltas (da volta 46 até 59). Conor Daly, ajudado pelo mestre estrategista Dale, brilhou mais uma vez com atuação destemida diante dos grandes times. Conquistar o sexto lugar depois de ter largado da décima oitava posição é pra aplaudir de pé no templo, Indyanistas!!! Sensacional, Conor!


Dessa forma, Pagenaud abriu uma bela vantagem para o segundo colocado no Campeonato, o tetracampeão Scott Dixon, e se tornou definitivamente o principal dos candidatos ao título de 2016. E mesmo que vá mal em na pista oval de Indiana, em seguida, Pagenaud tem uma rodada dupla em Detroit, lugar onde sempre anda entre os ponteiros. Isso pode proporcionar uma bela vantagem pro francês antes da série de pistas ovais que devem dar uma embaralhada no TOP 5 do campeonato. 

Agora é 500 Milhas de Indianapolis! HAJA CORAÇÃO!

CORRIDA COMPLETA (ESPN3 Latina)

Anacronismo em Barber


E SE... - E se os chassis fossem  da Lola e da Reynard? E se os pilotos envolvidos fossem Michael Andretti e Jimmy Vasser ou Bobby Rahal e Al Unser Sr. ou Alex Zanardi e Gil de Ferran ou Cristiano da Matta e Paul Tracy? E se a corrida de Barber esse ano estivesse sendo realizada em Portland ou Cleveland, o que diriam vocês nostálgicos e amantes das coisas do passado?

Essa selvagem disputa na sinuosa e bela pista de Barber entre Pagenaud (do time grande, do time rico, do time forte) e Rahal (do time pequeno, do time fraco, do time pobre), depois de um domínio absoluto de Pagenaud por mais da metade da corrida, se fosse em outra época, com outros nomes, ficaria imortalizada na memória dos jovens que estivessem assistindo a batalha. No futuro, eles recordariam entusiasmados da habilidade do francês em voltar da grama e ainda vencer a prova como uma vitória de marca maior e rotulariam esse evento como ímpar em competitividade.

Sim, a nostalgia é sempre mais amigável com as coisas do Passado do que com as coisas do Presente. Percebo que falta aos fãs da categoria, antes de mais nada, prazer em ler a história de cada corrida que vai sendo escrita volta a volta (página por página, capítulo por capítulo) seja em mistos, ovais ou ruas. Os personagens da atualidade parecem desinteressantes, um é francês, outro é um australiano doido, outro é um veterano, mas cadê o Emmerson Fittipaldi? Cadê o Rick Mears? Cadê o Gil de Ferran? Cadê o Arie Luyendyk? Cadê o Raul Boesel? - Será a crise dos trinta, a crise dos quarenta?

Aos indyanistas batizados depois da cisão, eu vos pergunto:

- E se um dia ou uma noite um demônio* se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela? (Extraído do livro A GAIA CIÊNCIA de F. Nietzsche)


CORRIDA COMPLETA DE BARBER

*Demônio no sentido grego, não no sentido cristão do termo.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Long Beach - Capítulo 2; Corrida 3: Apocalipse Indyânico 2016



APÓS O ESTRANHO GP DE PHOENIX - As profecias apocalípticas começaram a emergir dos fóruns da internet. Até onde a vasta rede alcança e a Indy é conhecida, do jeito bom ou do jeito ruim, as vozes foram quase unânimes: - "Long Beach foi um porre e o campeonato até agora foi um lixo!"

Analisando volta a volta, a corrida de 2016 foi como sempre foi Long Beach, a não ser pelo fato extraordinário de nenhuma bandeira amarela ter sido acionada durante a corrida. É típico, nessa pista de rua, que o pole lidere boa parte da corrida (chuto que 85% das corridas ali tiveram esse tipo de roteiro, se duvidar assista os vídeos de cada uma das edições da prova sancionada pela Indy, tem tudo completinho no Youtube) e que boa parte das disputas aconteça durante as relargadas pós-bandeiras amarelas e durante as janelas de pits.

Pois então, a corrida de Long Beach desse ano não teve bandeiras amarelas, nada, nenhum errinho bobo do Kimball, nenhum apêndice aerodinâmico do time Andretti "descansando" no meio da reta, nada de um pneu furado dos Penskes ou uma rodada marota pra proteção de pneus de um carro da Coyne. Nem o Sato conseguiu aprontar alguma coisa, muito pelo contrário, foi justamente ele um dos raros pilotos a proporcionar um espetáculo a parte, um dos poucos a ousar lindas batalhas por posições: uma vez contra Power e outra vez contra Montoya.


E assim, por causa da ausência de bandeiras amarelas, todas as estratégias acabaram afetadas pela corrida limpa de confusões, desgraçando de maneira mais severa os times anões que ficaram limitados então "a seguir o líder". Sem a chance de ousar uma mudança na estratégia, todos os times foram obrigados a fazer o convencional nos pits e esperar que o piloto resolvesse na pista, ultrapassando e escalando o grid na raça e em bandeira verde. 

Com o agravante de que hoje, com a guerra dos aerokits, está mais difícil ultrapassar e que o traçado de Long Beach tem apenas um ponto real para ultrapassagens, a corrida realmente não poderia ter agradado nem gregos e nem troianos. Pouco efeito sobre o humor dos indyanistas insatisfeitos teve a polêmica manobra de Pagenaud na saída do pit. De acordo com a regra, Simon teria 'cortado caminho' e com isso teria se beneficiado para manter-se a frente de Dixon para o restante da prova.


Teria ficado feio para o pessoal do Race Control se alguma alma bondosa não tirasse um print da Tv americana do exato momento em que Dixon saía de uma parada no pit. E ele faz a mesma coisa que Pagenaud, sem ter levado punição. Assunto encerrado, certo? Certo. A única coisa que me deixou um tanto incomodado foi o fato de que nenhum responsável por marcar as linhas e áreas de infração pensou na simples possibilidade de colocar dois pequenos cones alaranjados na saída dos pits. Não seria mais simples e eficiente para punir manobras dos malandros dos grandes times? Ora ora galera, não custa nada fazer o óbvio!

Agora, com duas corridas entediantes e mórbidas, as portas para mais um Apocalipse Indyânico se abriram. Pior: a clara demonstração de que Pagenaud é o grande candidato ao título e o piloto a ser batido durante as outras etapas do campeonato, mesmo nos ovais, tipo de pista que Pagenaud ainda não venceu. Entretanto, se você respeita pilotos veteranos, sabe que o segundo lugar de Dixon é apenas um dos sinais de que a víbora de gelo está espreitando mais um título. Se Pagenaud ou outro piloto bobear, Dixon é Penta!


segunda-feira, 9 de maio de 2016

O polêmico retorno ao Phoenix International Raceway


MUITA PRESSÃO AERODINÂMICA E POUCAS ULTRAPASSAGENS - Assim dá pra resumir rapidamente a segunda etapa da Indy em 2016. A corrida em si gerou muita expectativa nos seguidores da categoria já que era o retorno à Phoenix depois de uma década longe do tão tradicional território dos monopostos. Contudo, o desânimo de muita gente depois da corrida gerou uma nova onda de Apocalipse Indyânico, dentro e fora dos bastidores da Indy.

Para quem já assistiu corridas antigas em Phoenix, a dificuldade de acontecer ultrapassagem no circuito não era novidade, mas a velocidade absurda que os carros atingiram, sim, isso era muito novo para todos. Graças, principalmente, ao excesso de pressão aerodinâmica dada aos 21 carros que competiram. Outrora, nos tempos de Rick Mears e Tom Sneva, os carangos tinham potência no motor de sobra para atingir grandes velocidades em reta, porém o carro não possuía milhares de peças aerodinâmicas para gerar 'downforce' nas curvas e o que separava os bons de ovais dos fracos de ovais era a precisão do pé no acelerador e a eficiência do time em proporcionar uma configuração confiável para o carro e que fosse compatível com o estilo de pilotagem do piloto. 

Quando o pole, e até então líder da corrida, Helio Castroneves chegou no primeiro retardatário, James Hinchcliffe, e passou diversas voltas atrás sem efetuar a ultrapassagem, estava sacramentada a realidade dessa corrida: teria que ser muito ousado e colhudo para alguém tentar uma segunda linha por fora ou se arriscar a colocar por dentro e forçar a barra de maneira acintosa. Dessa forma, só problemas mecânicos, nos pneus ou no motor dariam algum toque de emoção para essa corrida em fila indiana.


Coube a Penske então ter um dia de azar e dois de seus carros (primeiro Helio e depois Montoya) perderam a liderança da corrida por problema com pneus estourados (será que por excesso de pressão aerodinâmica?). Dixon, a víbora, na hora certa, no lugar certo e com aquela frieza típica dele, herdou a liderança de Montoya na volta 96 e dali não saiu mais. Scott impôs uma vitória dominante dentro de um contexto de corrida frustrante para os amantes de ultrapassagens. Para se ter noção, durante as últimas dez voltas houve apenas uma ultrapassagem entre os 21 carros do grid: Jack Hawk perdeu o 18º lugar para Hinchcliffe. Todos os demais mantiveram seus lugares até a bandeira quadriculada.



Phoenix não é um oval fácil para se fazer ultrapassagens (quem joga vídeo game sabe disso), a última corrida da Indy em 2005, vencida por Tony Kanaan, teve um domínio absurdo do brasileiro, que na época defendia a Andretti-Green. Se não estou enganado, TK liderou mais de 150 voltas e ganhou a corrida sem qualquer problema ou ameaça. Mas não havia o mesmo excesso de 'downforce' que tivemos em 2016 e, ao longo dessa corrida de 2005, observamos diversos pilotos ultrapassando por fora e por dentro, ação praticamente impossível na corrida desse ano. Resta a Indy de Mark Miles e Jay Frye uma melhor escolha nos níveis de pressão aerodinâmica para a corrida do ano que vem, e quem sabe seguir a ideia do Rei Mears: "Mais potência nos motores para os ovais, e menos downforce".



segunda-feira, 4 de abril de 2016

O Foytista: Crônicas de St. Petersburg


QUANDO COMECEI A SER FOYTISTA? - Quando vi uma foto do carro de Billy Boat, pole das 500 Milhas de 1998, percebi que tinha nascido pra ser foytista. Era um carro pintado de verde escuro, com bico de águia, estava de perfil sobre a linha de tijolos do Templo da velocidade extrema e levava o patrocínio da Conseco. Fiquei encantado e desejei imediatamente uma miniatura daquele carango. Nem os Penskes da Marlboro ou os Ganassis da Target haviam afetado tanto meu gosto quanto afetou aquele carro do time Foyt (pra mim a pintura mais linda da história da Indy500 ao lado da Lotus verde-amarelo de Jim Clark em 1965!). E nesse dia, ao mesmo tempo em que escolhia o time Foyt para torcer, reconstruí definitivamente meu jeito de assistir o Campeonato de Indy: eu tinha um time para acompanhar, além dos pilotos que admirava e que estavam nos outros times. 


Mas torcer para time pequeno, seja no futebol ou na Indy, é escolher o lado errado das forças. Vitórias são raras, derrotas são constantes e, na maioria das vezes, a esperança "de um futuro melhor" é o que mantem o espírito do time "vivo" ao longo da temporada repleta de batidas e resultados pífios. Os poucos torcedores que se arriscam a buscar diversão torcendo para um time pequeno suar a alma para chegar no TOP 10 das corridas tem um destino comum no caminho trilhado: a tristeza.

Nós, que não somos penskistas, que não somos ganassianos, que não somos andrettistas, nós nos empolgamos com um simples TOP 10; um oitavo lugar então nos proporciona os mais variados sentimentos otimistas, e um TOP 5 com certeza é um tipo de "vitória" que custa mais caro do que para um Roger ou um Chip obter. Uma vitória propriamente dita é sonho durante a maioria das provas. Sato em Long Beach 2013 foi a nossa última glória no victory lane da Indy, e isso aconteceu há quase três anos atrás. Sentiu o drama de torcer para times pequenos?


A coisa fica ainda mais complexa quando sabemos que nosso chefe é ninguém mais, ninguém menos que o homem que dá nome ao time: A.J. Foyt é o tipo de chefe à moda antiga (ao menos era enquanto não tinha passado toda direção do time pro filho e ex-piloto Larry Foyt) e que manda/mandava em tudo com mão de ferro. No entanto, devido principalmente ao estado de saúde do tetracampeão de Indianapolis, hoje o time A. J. Foyt Enterprises conta com mais profissionalismo nas mãos do filho adotivo do SuperTex e, por isso talvez, consegue vez ou outra atingir um bom resultado em etapas isoladas do calendário, como o 2º lugar na rodada dupla de Detroit em 2015. 


Para 2016, o time Foyt manteve a dupla Sato (Japão) e Jack Hawk (Inglaterra), respectivamente o 14º lugar e o 17º lugar no campeonato do ano passado. Ao todo a dupla obteve dez TOP 10: cinco de Takuma e cinco de Hawk, sendo o resultado mais expressivo o 2º lugar de Sato. Bom ou ruim, o fato é que para essa nova temporada eu não estava muito preocupado com a presença de dois pilotos com resultados medianos, o que interessava mais era saber logo sobre o desempenho do novo aerokit da Honda.

Nos treinos para a prova de abertura em St. Pete, tanto Sato quanto Hawk tiveram desempenhos bem impressionantes nos treinos livres e um balde cheio de esperanças começou a encher e transbordar nas minhas expectativas para a corrida de domingo. Fosse Samurai Sato ou o Capitão Jack Hawk, a certeza era de que ao menos brigaríamos por um pódio contra Penskes e Ganassis, e no pior cenário disputaríamos com Andrettis e Schmitdistas o TOP 5.


Três curvas depois dessa foto da largada, Sato já estava com o pneu traseiro direito furado, teve que parar nos pits e foi pra último lugar. O principal piloto do meu time, antes da primeira volta ser concluída, já padecia na rabeira do grid. Seria ou não um dia normal para a nação foytista? Já Hawk caiu de nono para décimo primeiro. Na frente, Pagenaud tomou a ponta e não a perderia mais até o ataque de Montoya na relargada da volta 57. Na verdade, Montoya não tomou a liderança de Pagenaud, ele pulou para segundo, mas como Conor Daly teria que parar voltas depois a disputa pelo segundo lugar na verdade era pelo primeiro. No entanto, Montoya não se preocupou e passou Daly também na relargada da volta 64, após o engarrafamento com dez carros acionar uma amarela.

A partir daí, para o time Foyt, a corrida, que prometia ser de bons resultados, transformou-se na tradicional "batalha mortal por um TOP 10" com a dupla Sato e Hawk flutuando durante 110 voltas entre o oitavo e o vigésimo primeiro lugar, aproveitando-se das bandeiras amarelas para formar estratégias diferentes e ganhar pouco a pouco posições mais a frente.


O momento de maior empolgação minha foi quando Sato, na relargada da volta 57, ultrapassou de uma só vez Servia (que substituiu Poderoso Will com problemas de saúde), Pigot, Chilton e até Hawk. Arrojado como poucos, o piloto mitológico do Japão começava ali a dar a volta por cima em um dia que prometia ser dos piores para a nação foytista.

Na volta 88, Sato ultrapassa Rossi e assumiu a sexta colocação enquanto Capitão Jack lutava bravamente para alcançar o TOP 10. Seus concorrentes eram pilotos como Muñoz, Dixon, Chilton e Kanaan, todos de times grandes, e o 12º lugar por esse ângulo não parecia algo tão ruim para o time. Mesmo assim, faltando quatro voltas pro final, Hawk ainda conseguiu ultrapassar Rossi da Andretti e ficar com o 11º lugar. Foi quase algo comparável a um pódio o que conseguiu a Foyt em St. Pete quando olhamos para todos os fatores envolvidos na trama da corrida. Lógico que seria melhor um TOP 5, porém, depois de tantos reveses o sexto lugar de Sato foi pra lá de satisfatório. Mais uma vez o japa mitou com a Foyt!!!


Próxima parada dos Foytistas será no oval assimétrico de Phoenix!!! Até Lá!

CORRIDA COMPLETA DE ST. PETE
NO CANAL DA INDY

sexta-feira, 25 de março de 2016

ALMANAQUE DO INDYANISTA - CARTilha da IRL: Temporada 2016


DEPOIS DE MESES SEM POSTAGENS - Eis que o blog ressurge das trevas, das sombras, do subsolo do cotidiano sem fim!!! Muito pior do que já era e com muitas coisas inúteis sobre a Indy que não mudarão a economia do Brasil nem solucionarão o problema da fome e das injustiças sociais no mundo. Talvez tudo isso inclusive piore depois dessa postagem.

Nem precisa avisar, mas avisarei assim mesmo. Comecei o ano meio Dracone, meio Coletti, e não escrevi nada ainda sobre a primeira etapa vencida por Montoya em St. Pete. Fora da internet sou um escravo assalariado do tempo e do capitalismo, e faltou condições de produzir novo material. Outro motivo para não ter escrito foi a promessa que fiz ao amigo Fern Kesnault, que a primeira matéria do ano no blog seria um artigo dele. Não deu certo (culpa TODA minha, registro) e até agora fiquei sem publicar nada no Indyanista. 

Dessa maneira, caros indyanistas, consegui terminar essa semana um Almanaque especial sobre a temporada 2016 para que você possa acompanhar com mais informações a categoria mais competitiva do mundo. Para ter esse arquivo de quase 150 páginas só de Indy basta baixá-lo nesse link:

>>>>>>>>> arquivo do ALMANAQUE DO INDYANISTA: Temporada 2016 AQUI <<<<<<<<<<

Aos meus fiéis cinco leitores dedico esse presente. Bom proveito e até breve, amigos da velocidade extrema!    

sábado, 5 de dezembro de 2015

A Dinastia da Família Brabham nas 500 Milhas de Indianapolis

(Jack Brabham, Geoff Brabham e Matt Brabham)

SÃO COISAS DO TEMPLO - Que não vemos com frequência em outras categorias do automobilismo. Até hoje só duas famílias colocaram três gerações de pilotos do mesmo "galho genealógico" no IMS: a Família Vukovich foi a primeira a conseguir esse feito com o bicampeão de Indianapolis Bill Vukovich correndo de 1950 até morrer durante as 500 Milhas de 1955 (acidente esse que acabou selando o fim da sanção da AAA na Indy e iniciando a tomada total de poder por parte de Tony Hulman que em 1956 sancionaria com a USAC os campeonatos de Indy), depois veio Billy Vukovich Jr. tentando a glória de 1965 até 1984 e acabou com Billy Vukovich III que correu de 1988 até 1990. 

(Billy Vukovich Jr., 500 Milhas de 1979)

Preciso nem falar que o representante mais velho da família foi o mais glorioso entre os três por ter conquistado suas duas únicas vitórias na categoria justamente nas 500 Milhas de Indianapolis. Correu apenas cinco anos de Indy e teve sua carreira encerrada quando partia para o tricampeonato. Foi uma morte tenebrosa que você pode conferir nesse vídeo. O segundo Vukovich da dinastia, William John Vukovich Jr., conseguiu vencer uma corrida em Michigan no ano de 1973, fez duas poles (Nazareth em 68 e 69) e colocou-se 46 vezes no TOP 5 das corridas de Indy do período. Não foi um bagre usando nome famoso, mas não era uma lenda capaz de vencer duas 500 Milhas em dois anos seguidos como seu pai. O terceiro representante dessa família, William John Vukovich III, brilhou apenas uma vez na Indy nas poucas corridas que disputou, e nem foi um brilho tão magnífico assim: na verdade, um modesto nono lugar nas 500 milhas de Pocono de 1989. Ele não teria tempo de disputar mais corridas porque morreria tragicamente como seu avô dentro de uma pista oval, mais especificamente numa corrida de Sprint Cars da USAC. A reportagem da trágica morte você pode ver aqui.

(Bill Vukovich ganhador das 500 Milhas de 1953)

A outra tradicional dinastia dentro das 500 Milhas é a da família Andretti. E Mario foi o primeiro a conquistar a fama com três títulos da Indy-USAC nos anos de 1965, 1966 e 1969, mais as 500 Milhas de 1969. Isso sem contar toda tradição de Mario fora dos carros de Indy (Nascar e Formula 1). Em seguida veio Michael Andretti e suas marcas expressivas na Indy-CART: foram 42 vitórias (14 em ovais, 11 em mistos e 17 nas ruas), 139 vezes no TOP 5 em 317 participações na Indy-CART e Indy-IRL, além de 32 poles (7 em ovais, 8 em mistos e 17 nas ruas). Contudo, Michael, apesar de várias corridas como protagonista em Indianapolis, jamais bebeu leite no Victory Lane e bateu na trave diversas vezes! O terceiro piloto da família é Marco Andretti, que iniciou sua trajetória em 2006 e logo de cara perdeu as 500 Milhas desse mesmo ano na Curva 4 do Templo Sagrado para Sam Hornish Jr., na última volta. Fato esse que só deu maior dimensão para a lendária "Maldição da Família Andretti", afinal, depois de Mario, ninguém mais conseguiu a glória máxima com esse sobrenome no Templo (incluindo aqui todos os Andrettis). 

(Mario, Marco e Michael Andretti)

Essa semana Matthew Brabham, neto do tricampeão de F1 Jack Brabham, e filho do ex-piloto de Indy e carros de turismo Geoff Brabham, anunciou sua participação na centésima edição das 500 Milhas de Indianapolis. Se Matt classificar seu carro entre as 33 vagas no grid em maio, será a terceira geração da família guiando um carro de Indy nas 500 Milhas de Indianapolis. Fantástico isso ainda acontecendo na Indy e com uma família tão importante para o automobilismo mundial!

O neto de Jack Brabham também fechou acordo para correr o Grand Prêmio de Indianapolis. Ano passado Matt quase conseguiu fazer a "dobradinha" na Indy Lights dentro do templo: venceu a corrida no misto e perdeu por 0″005 milésimos de segundos para Gabby Chaves a Freedom 100. Foi um duro golpe a derrota para Gabby porque Matt intencionava homenagear o avô morto uma semana antes com essa vitória. Contudo, uma coisa fica clara: Matthew Brabham demonstrou que é bom de braço e tem potencial para fazer duas grandes corridas em Indianapolis (misto e oval) mesmo diante de veteranos do porte de Helio, Bourdais, Tony Kanaan, Hunter-Reay, Power, Dixon ou Montoya.

Pintura do carro de Matt Brabham para as 500 Milhas de 2016
    
Jack Brabham na sua primeira aparição em Indianapolis conseguiu fazer um TOP 10 quando terminou no 9º lugar usando seu famoso e revolucionário "Cooper Climax", o carro de motor traseiro. Entretanto, as outras três participações no IMS não foram tão marcantes em questão de resultados: terminou em 20º lugar em 1964, foi 24º lugar em 1969 e 13º lugar em 1970. O segundo da família a guiar em Indianapolis foi Geoff e esse sim teve participações mais marcantes tanto em Indianapolis quanto em outras etapas do calendário da Indy-CART. O 4º lugar conquistado nas 500 Milhas de 1983 até hoje é o melhor resultado dos Brabham na pista de Indiana. O pai de Matt participou ao todo de onze edições do maior espetáculo das corridas. Nem Geoff e nem Jack conseguiram marcar vitória para a família nos Estados Unidos. Menos ainda fez o tio de Matt, Gary Brabham, que só fez duas corridas em Surfers e jamais guiou no Templo.

Vídeo promocional que conta a história da Família Brabham em Indianapolis

Esse grid da centésima edição das 500 Milhas promete ser muito disputado e com nomes importantes querendo o leite mais saboroso do mundo!