quinta-feira, 16 de maio de 2013

Motor traseiro: o pioneiro nas 500 Milhas de Indianapolis








 (George Baily, 1939, carro #17, véspera das 500 Milhas)

 

Esse foi o último projeto desenvolvido pelo mito dos carros velozes, Harry Miller, para as 500 Milhas de Indianapolis, embora nunca tenha sido de fato um projeto bem sucedido nos resultados que obteve na pista mais famosa da América. Em 1938, Miller criou três carros com motor traseiro, seis cilindros, com tração nas quatro rodas, mas não terminou a tempo de inscrevê-los na corrida. No ano seguinte, George Baily pilotando um desses três carros de motor traseiro conseguiu qualificar-se em 6º lugar. Infelizmente, com um problema na válvula do motor, Baily finalizou a corrida em 26º. Houveram dois carros do projeto de Miller classificados para as 500 Milhas no ano de 1941, porém sem nenhum sucesso nos resultados finais da corrida. Em 1946, foi a vez de George Barringer tentar a sorte com o carro projetado por Harry, mas problemas no câmbio fizeram ele terminar no 29ª lugar. Já em 1947, Al Miller pilotaria o carro com motor traseiro, conseguindo um modesto 25ª lugar.



 (Al Miller, carro #66, 500 Milhas de 1947)


 Ao contrário do que muitos pensam, a revolução dos motores traseiros teve início em Indianapolis, 1938, pelas mãos do visionário Harry Miller.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

O primeiro (e único) carro de seis rodas nas 500 Milhas de Indianapolis




Pat Clancy era um velho piloto das dirt tracks do Memphis que ganhava a vida com uma empresa de caminhões. Um dia resolveu adicionar mais um eixo traseiro e inscrever assim o primeiro carro com seis rodas da história de Indianapolis. O carro de Pat Clancy correu duas 500 Milhas, terminando em décimo segundo em 1948 e vigésimo segundo em 1949. Billy DeVore foi o encarregado de pilotar o carro em 1948, e terminou logo atrás do belga Charles Van Acker.

48ª edição das 500 Milhas: O Grid


A quadragésima oitava 500 Milhas de Indianapolis foi realizada no sábado, dia 30 de maio, em 1964. A corrida foi vencida pelo mito A.J. Foyt, entretanto essa edição da prova ficou lembrada até hoje pelo terrível acidente envolvendo sete carros e que resultou na morte de Eddie Sachs e Dave MacDonald. Esse ano foi a última corrida vencida por um carro usando motor dianteiro, os famigerados "roadster", todas as 500 Milhas seguintes foram vencidas por carros de motor traseiro.




domingo, 12 de maio de 2013

Os campeões da Indy entre 1905 e 2015

O recordista de títulos da Indy: SuperTex ou simplesmente AJ FOYT


Piloto com SETE TÍTULOS
A.J. Foyt (1960, 1961, 1963, 1964, 1967, 1975 e 1979)


Mario Andretti, a lenda com quatro décadas de atuação!

Pilotos com QUATRO TÍTULOS
Mario Andretti (1965, 1966, 1969 e 1984) – ítalo-americano
Rick Mears (1979, 1981, 1982 e 1983) - americano
Sébastien Bourdais (2004, 2005, 2006 e 2007) - francês
Dario Franchitti (2007, 2009, 2010 e 2011) - escocês
Scott Dixon (2003, 2008, 2013 e 2015) - ATUAL CAMPEÃO!!!!!!


Jimmy Bryan, lenda da Indy nos anos 50

Pilotos com TRÊS TÍTULOS
Earl Cooper (1913, 1915 e 1917) - americano
Louis Meyer (1928, 1929 e 1933) – americano
Ted Horn (1946, 1947 e 1948) - americano
Jimmy Bryan (1954, 1956 e 1957) - americano
Tom Sneva (1977, 1978 e 1982) - americano
Al Unser Senior (1970, 1983 e 1985) - americano
Bobby Rahal (1986, 1987 e 1992) - americano
Sam Hornish, Jr. (2001, 2002 e 2006) - americano


Joe Leonard nos anos 70, carro do time de Parnelli Jones


Pilotos com DOIS TÍTULOS
Ralph Mulford (1911 e 1918) - americano
Ralph DePalma (1912 e 1914) - ítalo-americano
Jimmy Murphy (1922 e 1924) – americano
Peter DePaolo (1925 e 1927) - americano
Wilbur Shaw (1937 e 1939) - americano
Rex Mays (1940 e 1941) - americano
Tony Bettenhausen (1951 e 1958) – americano
Rodger Ward (1959 e 1962) - americano
Bobby Unser (1968 e 1974) - americano
Joe Leonard (1971 e 1972) – americano
Johnny Rutherford (1980 e 1980) – americano.  Explicação importante: a partir de 1979 houveram dois campeonatos de Indycars, um sancionado pela CART e outro pela USAC. Algumas provas se repetiam em ambos os calendários, mas a maioria das provas foi distinta entre 1979 e 1985. A partir de 1985 o campeonato da USAC foi apenas as 500 Milhas de Indianapolis, que também contava pontos para o campeonato sancionado pela CART. Dessa forma, resolvi “ignorar” os títulos da USAC depois de 1985 já que no calendário constava uma corrida apenas e essa corrida valia para ambos os campeonatos, as 500 Milhas de Indianapolis. Dessa forma, Rutherford acabou vencendo ambos os campeonatos em 1980).
Al Unser Junior (1990 e 1994) - americano
Alex Zanardi (1997 e 1998) - italiano
Gil de Ferran (2000 e 2001) - brasileiro


Sam Hanks, o último campeão dos anos 40


Pilotos com UM TÍTULO
Barney Oldfield (1905) - americano
George Robertson (1909) - americano
Ray Harroun (1910) - americano
Howdy Wilcox (1919) - americano
Dario Resta (1916) - britânico
Gaston Chevrolet (1920) - francês
Tommy Milton (1921) - americano
Eddie Hearne (1923) - americano
Harry Hartz (1926) – americano
Billy Arnold (1930) – americano
Louis Schneider (1931) – americano
Bob Carey (1932) - americano
Bill Cummings (1934) – americano
Kelly Petillo (1935) - americano
Mauri Rose (1936) - americano
Floyd Roberts (1938) - americano
Johnnie Parsons (1949) - americano
Henry Banks (1950) - americano
Chuck Stevenson (1952) - americano
Sam Hanks (1953) - americano
Bob Sweikert (1955) - americano
Roger McCluskey (1973) - americano
Gordon Johncock (1976) - americano
George Snider (1981) - americano
Danny Sullivan (1988) – americano
Emerson Fittipaldi (1989) - brasileiro
Michael Andretti (1991) - americano
Nigel Mansell (1993) - inglês
Jacques Villeneuve (1995) - canadense
Jimmy Vasser (1996) - americano
Buzz Calkins/Scott Sharp (1996) – americanos. Explicação importante: 1996 marcou o primeiro ano de existência da IRL (Indy Race League), categoria criada por Tony George e que tirou as 500 Milhas de Indianapolis do calendário do campeonato sancionado pela CART. O campeonato da Indy Race League teve apenas três etapas: uma prova em Orlando, outra em Phoenix e a última em Indianapolis. Buzz venceu a primeira corrida da história da IRL em Orlando e terminaria o campeonato com 82 pontos, mesma quantidade de pontos que somou Scott Sharp que não conseguiu vencer uma prova sequer. Com isso, ambos os pilotos foram declarados campeões. Os monopostos americanos sofreram aqui o mais duro golpe e do qual a categoria tenta se reerguer até hoje. A partir daqui existiram dois campeonatos de Indycars: um sancionado pela CART e outro pela IRL. A reunificação ocorreria só em 2008.
Tony Stewart (1997) - americano
Kenny Bräck (1998) - sueco
Juan Montoya (1999) - colombiano
Greg Ray (1999) - americano
Buddy Lazier (2000) - americano
Cristiano da Matta (2002) - brasileiro
Paul Tracy (2003) - canadense
Tony Kanaan (2004) - brasileiro
Dan Wheldon (2005) - inglês
Ryan Hunter-Reay (2012) - americano
Will Power (2014) - australiano

terça-feira, 7 de maio de 2013

A épica etapa da Indy no Anhembi

(Acidente entre Marco Andretti e Mario Moraes, primeira edição da Indy em SP)


O cenário? Um circuito de rua no meio da cidade de São Paulo, projetado para surgir ao lado de um rio morto e fétido, apodrecido pelo descaso dos seres humanos que habitam a metrópole, e composto por três retas grandes e um miolo labiríntico traiçoeiro entre as árvores do estacionamento do parque. Em tempo, a entrada dos pits é a mais legal entrada de pits da história da Indy, em declive, charme puro!
O enredo? Uma categoria centenária dos Estados Unidos, 25 pilotos de diversos lugares do mundo, três do Brasil e com toda torcida nativa os apoiando em peso. Dia de sol, sem chuva, calor no corpo e na pista. O Anhembi foi o cenário perfeito daquela que já está sendo considerada por muitos fãs e jornalistas americanos como “a melhor prova em circuito de rua de todos os tempos da Indycar Series (ou CART, ou IRL, ou CCWS)”.
Quando as duas filas indianas se alinharam lado a lado na infinita reta da marginal se direcionando para a linha de partida, como 25 cavaleiros em marcha militar, uma emoção alegre e ‘garageira’ contaminou todos os presentes no evento. A imagem da reta do sambódromo com as arquibancadas lotadas de ambos os lados e os carros da Indy rasgando o asfalto é marcante para a memória de qualquer fã de corridas. A torcida inteira gritando e pulando a cada vez que Tony Kanaan passava como líder da prova será para sempre inesquecível para nós fãs da categoria americana. Hinch saindo do carro e sendo ovacionado pelos brasileiros? Inesquecível!
Tony Cotman é o mito por trás dessa ideia inusitada, foi ele quem criou o layout da pista. Ele a imaginou e a prefeitura de Sampa tornou concreta a ideia dele, e ambos devem ser elogiados para todo o sempre por causa dessa beleza de traçado citadino! Se a F1 tem o Tilke para modelar pistas, na Indy temos o projetista surrealista de pistas fantásticas Tony Cotman.  Confesso que mesmo antes da edição 2013 da prova era esse o meu traçado de rua favorito no mundo da Indy, a “MONZA” das pistas de rua como apelidou carinhosamente Newgarden tempos atrás o Anhembi!
O desfecho emocionante da prova com Hinch ‘driblando’ Takuma Sato na entrada da curva do sambódromo depois de quase se tocarem na reta da marginal, na última volta, foi só o complemento perfeito de uma corrida repleta pneus fritando constantemente nas freadas, defesa de posição, disputas ríspidas e o maravilhoso ‘jogo das estratégias de pit’. O roteiro emocionante que a Indy tanto precisava para ficar registrada com carinho na memória dos velhos e dos novos fãs da categoria que sempre esperam por corridas emocionantes “como na época da CART”.
Miller, o veterano repórter da Indy, havia escrito na pré-temporada que esse seria o ano mais equilibrado da Indy em mais de uma década. Acredito que o velho Miller acertou em cheio. Ele apostava muito em Hinch e também acertou no alvo. Mas o grande nome da Indy até agora é Takuma Sato. Sim, o eterno kamikaze que perdeu ano passado as 500 Milhas por precipitar-se em uma manobra arriscada na CURVA 1 do IMS, encontrou sua equipe dos sonhos: a anã, pequena, minúscula, velha AJ FOYT ENTERPRISES. Duvido que o próprio Tex (apelido carinhoso que os amigos deram a Foyt) em seus devaneios mais inusitados acreditasse que chegaria a Indianapolis em 2013 com seu piloto liderando a tabela de classificação. Entretanto, na pré-temporada, Sato já havia demonstrado potencial e já aparentava estar entrosando bem com a equipe hoje comandada pelo filho de Foyt, Larry.

A repercussão da corrida no Anhembi mundo afora foi muito positiva em todos os meios de comunicação dos Estados Unidos, sendo classificada como épica, fantástica, a melhor corrida em pista de rua da história da Indy, entre oustras coisas boas. A reação vibrante da torcida brasileira também foi destacada pelo narradores da NBC Sports, principalmente quando Hinchcliffe sai do carro para comemorar e a galera em peso vibra com o canadense. Tudo foi incrivelmente tão perfeito que assusta toda expectativa que gerarão os fãs da velocidade para a edição do ano que vem. Mal acostumados com corridas excepcionais exigiremos uma repetição daquilo que houve de memorável na Monza das pistas de rua em 2013, tenho certeza disso.
Mas enquanto o ano que vem não chega, fique com os melhores momentos da corrida no Anhembi. Reassista com a narração da melhor dupla da América Latina: Pombo e Agulla, do canal ESPN3. Simplesmente, OS MELHORES!