terça-feira, 14 de março de 2017

INDYCAR - Acidentes em St. Petersburg 2017


CRASH!!! - O primeiro a bater nas muretas da pista urbana de St. Pete foi Will Power, da Penske, durante os treinos livres. Na sequência foi a vez do mestre das muretas Takuma Sato, da Andretti, destruir as suspensões do seu Dw12. Na curva 13, o terceiro a experimentar as barreiras de proteção foi o vencedor da prova, Bourdais durante o treino classificatório. No Warm-up, Caçador, da Andretti, conseguiu destruir seu carro nos pneus poucas horas antes da corrida, motivo pelo qual seu resultado na prova deve ser muito exaltado. A pancada foi a mais forte de todo final de semana e os danos no carro foram bem sérias. 

BATIDA NA CORRIDA: Na volta 1, na Curva 3 (aquela que recebeu uma mudança de última hora devido a falha no asfalto), Kimball da Ganassi, sempre ele, quis colocar o carro do lado do #15 de Graham Rahal, da RLL, no espaço que passaria somente um carro. Resultado? CRASH!!!!!! CRASH!!!!! CRASH!!!!!! Gênio demais o Insulina Boy! Esse já é o segundo acidente dele com Graham e o segundo onde quem se ferra mais é o filho do Bobby. Que vida dura, Rahalzinho? Tinha um Pinball no seu caminho, no seu caminho tinha um Pinball! De quebra, o desgraçado do Kimball levou um dos carros da minha Foyt pro muro também. Péssima estréia para Muñoz, infelizmente. Obrigado Mister Charlie!



Tião Bourdais e a Redenção do Menino de Le Mans


SUPERAÇÃO - Nada é mais difícil para o piloto de Indy do que reverter uma péssima posição no grid de largada. Em oval, a situação até que é mais possível e provável de ser revertida, basta o carro ter um bom acerto para corrida e uma estratégia inteligente sendo pensada a cada volta pelos engenheiros. No circuito misto, a situação já fica mais complicada, afinal de contas as corridas de Indy em autódromos permanentes costumam parar menos por causa de uma bandeira amarela. No entanto, nas pistas de rua, largar na última posição é simplesmente a condenação ao pior cenário para qualquer pretensão do piloto. 

Óbvio que se você for piloto do Esquadrão da Penske, que coloca um orçamento monstruoso para disputar a temporada completa com quatro carros mais um quinto para Montoya em Indianapolis, suas chances na corrida poderão ser maiores caso a posição no grid seja desfavorável. Se você defende o time do Chip Ganassi, largar em último e vencer pode acontecer tal como foi com Dixon em Mid-Ohio em 2014. Até com uma Andretti você teria chances de reverter uma posição de largada ruim.

Agora, largar no último lugar, pilotando o carro do time "mais pobre" da Indy moderna (Dale Coyne) e, ainda por cima, vencer a prova usando o contestado motor Honda deixando em segundo e terceiro lugares na corrida de St. Pete uma Penske (pilotada pelo atual Campeão da categoria) e uma Ganassi (do mito Dixon), só um Tião Bourdais poderia realizar!


Largar em último e vencer é o "conto de fadas" perfeito para o final de semana de qualquer piloto de Indy (ou outra categoria). Até para o frio Bourdais a história de heroísmo e superação de sua corrida foi capaz de surpreender os sentidos e emocionar seus fãs de forma intensa. Segundo o próprio, ele não se lembra de ter recebido tantas felicitações por uma vitória como depois de vencer em St. Pete no domingo passado. A trama clássica do "time pequeno" batendo nos times ricos ainda é a preferida dos amantes da velocidade mundo afora. O elemento da imprevisibilidade teima em resistir no automobilismo para alegria de muitos! 

Conheça a pista de St. Pete de carona com Conor Daly

Entretanto, não se iluda com a Dale Coyne e o seu papel para essa temporada, o time já esteve mais fraco antes de 2017. Para esse ano, o projeto pode ser considerado ousado: Bourdais conseguiu trazer para o time Craig Hampson, que tinha uma proposta tentadora da Andretti Autosport, e Olivier Boisson, que era o engenheiro de Tião na extinta equipe da KV. Somado a isso, a Coyne colocou no segundo carro o atual campeão da Indy Lights, Ed Jones, grande promessa inglesa para o futuro da Indy. Na primeira corrida, Bourdais vence e Ed, único rookie do ano, termina em um honroso 10º lugar. 

A perspectiva para o futuro só pode ser a melhor possível já que, na sequência, teremos outra pista de rua no calendário, especialidade de Bourdais. No currículo, o francês traz, somando o triunfo em St. Pete, 16 vitórias nas pistas urbanas, 3 dessas vitórias em Long Beach, próxima etapa do Campeonato. Parece que Dale Coyne e Bourdais incomodarão os times ricos e os pilotos favoritos por mais 16 etapas!






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

500 MILHAS DE INDIANAPOLIS DE 1946 - O início do Legado de Tony Hulman



Quando o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, em dezembro de 1941, declarou Guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), após o bombardeio de Pearl Harbor perpetrado pelos antepassados do Takuma Sato, todos os Estados americanos acabariam afetados imediatamente. Para o Templo da velocidade não foi diferente e as corridas cessariam em Indianapolis por longos e pesados quatro anos de chumbo e bomba atômica. 

Wilbur Shaw no seu Maserati Boyle Special

Em novembro de 1944, Wilbur Shaw (simplesmente a maior lenda dos anos 30 da Indy, tricampeão de Indianapolis e que só não se tornou tetra, penta e hexa por questões que fogem às explicações humanas) visitou a pista como um executivo da Firestone pronto para agendar alguns dias de testes para um novo composto de pneus que a empresa produzira em seus laboratórios. Depois desses testes, Shaw ficou inconformado com a paisagem desoladora do Speedway decorado por todo tipo de ervas daninhas no meio da trilha de tijolos, gramados com três metros de altura, arquibancadas caindo aos pedaços, instalações ferradas e os boatos que espalhavam pela cidade de que o melhor era demolir tudo e fazer outro investimento no local.


Munido de paixão, paciência e coragem, Wilbur foi até o dono da pista, capitão Eddie Rickenbacker, questionar o que poderia ser feito em relação a situação deplorável do lugar. A resposta de Eddie foi um sincero "não tenho a grana para reformar tudo, Wilbur". Uma facada nas primeiras tentativas do ex-piloto que ganhou fama na velha Brickyard. Restaria para Shaw dois "planos B": ou ele mesmo comprava a pista de Eddie ou encontrava um milionário com bala na agulha para bancar a reforma e a reabertura de Indianapolis e, consequentemente, a sobrevida das 500 Milhas de Indianapolis, que até aquele momento estava estacionada na sua vigésima nona edição. 

Sem dinheiro para ele mesmo fazer a aquisição, Shaw procurou por Anton "Tony" Hulman Jr., membro da mais tradicional família de Terre Haute, e jogou o projeto na mesa. Os Hulman eram uma família de imigrantes alemães que se estabeleceram com sucesso no Estado de Indiana no ano de 1850. Na virada do século o avô de Tony, o senhor Herman Hulman havia construído a Hulman Company, fornecedora de alimentos no atacado, bebidas e tabaco. Também é dessa empresa o famoso fermento em pó Clabber Girl.

Naquele momento da história Wilbur Shaw se via diante de um homem rico, que assumiu a presidência da Hulman Company após o falecimento de seu pai (em 1942) e que era muito apaixonado por corridas de Indy (êta homem de sorte esse Shaw!). Tony Hulman era um Hoosier nato, assistiu sua primeira 500 Milhas em 1914 (vencida por René Thomas) e via uma possibilidade perfeita para aplicar seu conhecimento de marketing no mais icônico evento automobilístico da América. 


Para concretizar o projeto, Hulman pagou no dia 14 de novembro de 1945 um total de 750 mil dólares ao capitão Eddie Rickenbacker, nomeou Wilbur Shaw para presidente e gerente-geral do Indianapolis Motor Speedway e intencionava tornar a Indy500 o maior espetáculo das corridas. Em poucos meses, como num passe de mágica, a Brickyard estava reaberta para o público e para os carros mais velozes do mundo!

 Capitão Rickenbacker assina o contrato de venda 
do Indianapolis Motor Speedway para Tony Hulman


Na parte 2 falaremos da corrida propriamente dita! Até lá, Indyanistas!
  

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O Foytista: o que esperar do meu time na Indy para 2017?



O TIME FOYT - Teve uma temporada medíocre em 2016. Foram apenas cinco resultados dentro do TOP 10 em 16 corridas disputadas com dois carros. E todos os bons resultados do time foram conquistados por Sato. Jack Hawk, exceto pelo 11º lugar nas corridas de St. Pete e Road America, teve o ano mais terrível da carreira, talvez o "canto do cisne" dele na Indy. O jovem piloto britânico, que ganhou destaque quando guiava pelo time do Herta em 2014, marcou três 19º lugar, cinco vezes abaixo do 20º lugar e um desprezível 31º lugar nas 500 Milhas de Indianapolis. Fez 229 pontos e foi o último colocado entre os pilotos que fizeram todas as corridas! 


Takuma fez boas corridas em Long Beach e Toronto (tradicionalmente o japonês anda bem nas pistas de rua da Indy) e decepcionou nos circuitos ovais (nenhum TOP 10) e nos circuitos mistos (de bom mesmo só o 9º lugar em Mid-Ohio), como geralmente faz durante as temporadas da Indy. Nas 500 Milhas de Indianapolis, Sato só conseguiu chegar com o #14 no miserável 26º lugar. BLASFÊMIA!!! Então, A.J. e Larry Foyt cansaram e prometem remodelar todo time!

O primeiro passo para 2017, no time Foyt, será trocar o aerokit/motor da Honda pelo aerokit/motor da Chevy. O acordo de troca ainda não foi anunciado oficialmente, mas é questão de tempo isso ocorrer até porque o próprio A.J., em entrevista recente, já informou que a mudança é inevitável. E como no ano que vem o desenvolvimento do aerokit será congelado, a possibilidade de melhores resultados pro time do Messias é maior usando o conjunto da Chevy.


O segundo passo será escolher uma nova dupla de pilotos. É certo que Jack Hawk não renovará e que Sato não guiará por um time de aerokit/motor com a marca da Chevrolet. Dessa forma, temos dois cockpits vazios para fazer a temporada completa, além do carro #48 pras 500 Milhas de Indianapolis. O nome mais forte, nos bastidores, para assumir o #14 é de um colombiano. 

Carlos Muñoz, que ainda não assinou contrato com a Andretti, é , na minha opinião, o piloto preferido de A.J. e Larry para assumir a vaga. O motivo maior é a qualidade de Muñoz em Indianapolis. Desde 2013, quando foi o rookie do ano nas 500 Milhas, Muñoz se destaca ano após ano como um dos candidatos mais fortes para vencer o maior espetáculo das corridas no futuro (em quatro participações em Indianapolis, Carlos anotou dois 2º lugar e um 4º lugar). Esse é o motivo que faz dele o favorito para comandar a esquadra da Família Foyt. 



Para o segundo carro, as possibilidades são infinitas no leque de opções que tem A.J. e Larry. Poderá ser piloto de fora da Indy comprando a vaga depois de findar a grana que injetava nos monopostos europeus, poderá ser algum garoto que veio do Road To Indy e que está sem correr há algum tempo, poderá ser um veterano bicampeão de Indianapolis recém dispensado do time grande, enfim, as variáveis são inúmeras. Torço para que escolham dois dos meus pilotos preferidos na Indy (e que acompanho as carreiras desde 2012): Sage Karam para o #14 e Matt Brabham para o #41, além do bicampeão de F1, Fernando Alonso, assumindo o #48 nas 500 Milhas de Indianapolis. Lógico que é sonho (principalmente o Alonso guiando pro meu Messias), mas enquanto nada oficial for anunciado sonhar está valendo para qualquer foytista!


domingo, 16 de outubro de 2016

Pagenaud conquista a Astor Cup 2016


NA INDY - Qualquer temporada deve ser analisada sob a ótica da meritocracia. Meritocracia é o predomínio numa sociedade, organização ou grupo, daqueles que têm mais méritos (os mais trabalhadores, mais dedicados, mais bem dotados intelectualmente, etc.). Repassando a ideia para a disputa da Astor Cup de 2016 concluímos que de fato foi Simon Pagenaud o melhor piloto do certame, o que teve mais mérito em conquistar o primeiro lugar na tabela depois da última etapa em Sonoma, o que foi mais regular durante todo ano, o que venceu mais corridas, o que fez mais poles. Foi uma temporada "sennista" para o Sapo


Esse ano SHOWnoma virou SONOma e a corrida, infelizmente, teve o triste aspecto de "final de feira". Com o problema de Will Power antes da metade da prova, e o domínio absoluto de Simon desde a largada, a corrida serviu mesmo para que alguns dormissem e outros admirassem a qualidade do fenomenal piloto francês lutando a cada curva para manter seu ritmo feroz e implacável. Eu amo o traçado de Sonoma, um dos mais desafiadores da temporada (se duvida pegue seu PlayStation 2, ligue-o e busque jogar nessa pista no jogo "Gran Turismo 4", será diversão garantida), mas sei que muita gente torce o nariz pelo final da temporada ser numa pista mista com poucos pontos de ultrapassagem. Não estão errados em reclamar, a final do campeonato deveria ser mesmo em um circuito oval do tipo de Iowa ou Texas.

E por qual razão a final da Indy deveria ser sempre em ovais? Na minha opinião, devido a maior a imprevisibilidade que cercaria o resultado da corrida, apesar daquele impressionante ritmo de Newgarden em Iowa e o domínio do Prefeito na segunda parte do Texas. Porém, meter o final da temporada em uma pista complexa como Sonoma, onde o resultado da corrida se define muito durante os treinos classificatórios, tinha grande chance de gerar monotonia, e gerou. Mais ainda quando o oponente de Pagenaud teve problema de câmbio. Daí já era pro gaiteiro!



Voltando a Sonoma, Pagenaud é um campeão de monopostos à moda antiga, se fizermos uma analogia com aquele esquadrão de pilotos sessentistas dos anos 60 que começaram a buscar aventuras e conquistar vitórias por todo tipo de pistas e carros disponíveis, participando ativamente dos campeonatos mais importantes que existiram/existem sobre a face do Planeta. Fosse em Peak Pikes Hill Climb, Indy500, GP de Mônaco, Daytona ou Le Mans, lá estavam Unsers, Foyt, Andretti, Gurney. Simon tem o tipo de DNA desses sujeitos, sem exagero, ressalto. E esse foi um dos motivos que me levaram a prestar mais atenção no talento do francês quando ele fazia aparições ocasionais na Indy em 2009.

Demorou quase UMA DÉCADA para ele subir degraus na categoria, chegar a uma equipe de ponta com o talento demonstrado no excepcional Campeonato que fez em 2014 com o pequeno time SPM e ganhar a Astor Cup. Uma década de lutas, derrotas, sustos, desilusões e experimentos em rally e endurance. Na Indy de hoje poderia ser chamado de "Mario" Pagenaud tamanha sua capacidade para se adaptar rápido a carros e pistas. Contudo, tem ainda uma certa dificuldade nos ovais e até agora não obteve vitórias nesse tipo de traçado. 



Aproveitando o momento de glória do Sapo, deixo no fim dessa atrasadíssima postagem as palavras de Simon sobre seu grande herói e a quem com certeza ele dedica a Astor Cup:

"
Senna foi o meu herói de infância. Mesmo sem o conhecer pessoalmente, ele inspirou toda a minha vida, o jeito de compreender as coisas, o que ele estava pensando, o seu estilo de guiar nas corridas, o foco, a determinação e o poder de concentração." Parece que o pupilo do herói brasileiro enfim cumpriu um dos seus doze trabalhos indyânicos. Restam 11 e o 11 é um número mágico na numerologia do Templo da Velocidade! 


 " - 2017 é logo ali" diria Fernando Vanucci chapado de cachaça!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

WatDIXONs Glen: a quadragésima vitória da Víbora da Oceania


QUANDO VOCÊ... - Estiver velho e cansado, com aquela expressão facial entediada típica dos homens que adoram falar das coisas do passado, resmungando pelos cotovelos (numa rede social qualquer do futuro) que na época do DW12 a Indy era uma categoria incrível e que todos os pilotos tinham reais chances de ganhar corridas bastando demonstrar talento e loucura, bem, nesse tempo dos anos vindouros você resmungará também sobre Scott Dixon, a Víbora da Oceania!

Dirá que Dixon era "O" cara da Indy nessa época que estamos vivendo, dirá também que entre 2005 e 20016 ele venceu ao menos uma corrida por temporada e que o desgraçado ainda era capaz de vencer corridas de longa duração em carro de turismo. Não é à toa que, ao abrirmos o livro dos Recordes Indyânicos, vemos o neozelandês isolado na quarta posição entre os maiores vencedores de corridas de Indy, com nada mais nada menos que 40 vitórias e 4 títulos. 


Olhando especificamente a página de estatísticas da carreira de Scott, observa-se a qualidade do piloto em se posicionar bem ao longo das corridas da temporada, mesmo naquelas que ele não consegue vencer. São ao todo 269 largadas com 40 vitórias, 27 poles e 89 pódios. Dezesseis anos entre sanções de CART e de IRL/INDYCAR, dezesseis anos de um estranho anonimato para o mais glorioso piloto de Indy que ninguém (exceto o Verde) torce.

  
E como toda perigosa serpente, essa víbora da Oceania também tem seus ninhos preferidos. The Glen é um desses ninhos onde Dixon reina. Quando Watkins Glen retornou ao calendário da Indy em 2005, depois de ter saído fora em 1981, poucos poderiam prever que seria esse kiwi o piloto que se daria melhor no circuito misto mais lindo da América. Na estréia de Dixon em Glen, largou em 4º e finalizou em 1º. No ano seguinte, largou em 4º e terminou em 1º. Em 2007, Scott largaria em 2º e finalizaria em 1º. "Putaquepariu!!!" disseram os rivais. Por ironia do destino, no ano do seu bicampeonato, Dixon largou em 4º e finalizou na sua pior posição em Glen, um miserável 11º lugar. Em 2009, largou em 3º e terminou em 3º e no último ano de Glen no calendário da antiga IRL um resultado mediano, largou em 7º e terminou em 8º lugar. 


Dixon ficou entusiasmado então quando Jay Frye fechou acordo com o presidente da pista de Glen para que ela substituísse o fracasso de Boston nessa temporada. O resultado final não poderia ter sido diferente após as tradicionais 60 voltas no circuito novaiorquino: Dixon largou em 1º e Dixon terminou em 1º. A víbora esguichou seu veneno!
 

Agora Dixon ultrapassou ninguém menos que Al Unser Senior na lista dos maiores vencedores de corridas de Indy, está a duas vitórias de distância de Michael Andretti que tem 42 vitórias nesse TOP FIVE dos maiorais. Saiu no USA TODAY a lista completa:


Na luta pela Astor Cup, Poderoso Will se deu muito mal em Glen, e depois de se envolver num acidente com o Insulina Boy, viu o Sapo Francês abrir uma vantagem de 43 pontos para a etapa final de Sonoma (que terá pontuação dobrada como em Indianapolis). Dessa forma, basta a Simon um 4º lugar. Para Power, só a vitória interessa e todo azar do mundo para Pagenaud. Quem ficará com a Taça? 



CORRIDA COMPLETA EM GLEN 2016

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Watkins Glen: o circuito misto erótico da Indy


THE GLEN É PURA POESIA - Automobilística com cheiro de borracha queimada e uma sinuosidade diabólica. Não é de hoje que minha devoção por esse circuito misto começou e nem será amanhã que ela terminará. Enquanto muitos se ajoelham em oração por Road America ou chamam Portland de "pérola esquecida pela atual gestão da Indy", eu olho para Watkins Glen no calendário e sorrio como um garoto imberbe diante da garota dos sonhos. 


Quando toquei pela primeira vez as curvas de Watkins Glen em um jogo da Nascar para Play Station 2 a paixão pelo traçado foi imediata. No dia seguinte escrevi esse poema para o circuito novaiorquino:


A Sinuosa dos Muros Azuis

"Não te amo como se fosses Mid-Ohio ou Portland 
ou Elkhart Lake e seu Carrossel adorado pelo povo: 
amo-te como se amam certas equipes obscuras, 
secretamente, entre a Foyt e a Dale Coyne. 

Amo-te como a pista que não tilkeou e tem 
dentro de si, explicito, o desafio em cada curva, 
e, graças ao teu formato, vejo desenhado em teu corpo 
o denso aroma do perigo constante. 

Amo-te por saber como, quando e onde 
encontrarei diversão assistindo o toque da borracha no teu asfalto: 
amo-te com ou sem "a Bota", com ou sem a "Bus Stop", 

Deste modo eu sei quem no mundo da velocidade tu és, 
tão rica de riscos em cada metro serpeante do seu circuito, 
tão perto de ser um autódromo fêmea por excelência! 


A história da The Glen teve 10 capítulos intermitentes no calendário da Indy: começou em 1979 e foi até 1981; uma lacuna de 22 anos acontece até que em 2005 a Indy retorna ao solo sagrado correndo até 2010; e, por fim, 2016 marca o retorno da pista ao calendário de mistos da categoria norte-americana e com a boa notícia de que ficará até pelo menos 2018. 


Se você desconhece a pista deixo aqui algumas voltas onboard com o Prefeito de Hinchtown (descubra com seus próprio olhos a beleza das curvas de Glen!):


Na luta pelo título teremos Pagenaud, Power, Tony Kanaan e Helio. Esses são de fato os que mais tem chances de título, sendo que os dois brasileiros estão precisando de um "milagre" para encostar nos ponteiros e chegar a Sonoma com chances reais de conquistar o caneco. Qual seria esse "milagre"? Power e Pagenaud não terminarem a corrida de Watkins acima da décima quinta posição e Tony ou Castroneves vencerem a prova em Nova York. Tony está 113 pontos atrás de Pagenaud, Helio 114 pontos. Temos em disputa mais de 150 pontos nessas duas etapas. A chance brasileira é mínima, mas existe. 


Entre Power e Pagenaud a parada é mais acirrada e a vantagem de pouco mais de 20 pontos do francês sobre o australiano não significa muita coisa em um cenário onde temos tantos pontos a serem disputados. Outro agravante para tornar essas duas etapas em mistos eletrizantes é o fato de que ambos os pilotos da Penske tem retrospectos excepcionais nesse tipo de traçado. Tudo está absolutamente INDEFINIDO!!! Então se liga domingo no meio da tarde na Band(lixo) e assista a primeira parte das rodadas decisivas para ver quem será campeão da Astor Cup. Dá Brasil? Dá Austrália? Dá França? Quem será o campeão?!


Todos os vencedores da Indy em The Glen

Corrida #DataNome do eventoMilhasVencedor
18/5/1979Kent Oil 150150.474Bobby Unser
28/3/1980Kent Oil 150150.536Bobby Unser
310/4/1981Watkins Glen 200202.62Rick Mears
49/25/2005Watkins Glen Indy Grand Prix Presented by Argent Mortgage202.2Scott Dixon
56/4/2006Watkins Glen Indy Grand Prix185.35Scott Dixon
67/8/2007Camping World Watkins Glen Grand Prix202.2Scott Dixon
77/6/2008Camping World Indy Grand Prix at the Glen202.2Ryan Hunter-Reay
87/5/2009Camping World Indy Grand Prix at The Glen202.2Justin Wilson
97/4/2010Camping World Indy Grand Prix at The Glen202.2Will Power
109/4/2016INDYCAR Grand Prix at The Glen Quem será?



"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”

Oscar Niemeyer