terça-feira, 7 de junho de 2016

O piloto mais idolatrado da IndyCar Series


IDOLATRIA - "É usualmente definida como a prática de adoração a ídolos, valores e ideias em oposição à adoração a um Deus monoteísta. A idolatria é considerada um dos maiores pecados nas religiões abraâmicas, de outro modo, em religiões onde esta atividade não é considerada como pecado. Quais imagens, ideias e objetos, constituem idolatria, e quais constituem uma adoração válida é um assunto de discussões por autoridades e grupos religiosos. É notável o conflito sobre o uso do termo no cristianismo, entre dois dos seus principais ramos, o catolicismo e oprotestantismo."

No Indyanismo, idolatra-se pilotos, idolatra-se ex-pilotos e idolatra-se os ex-pilotos que se tornaram chefes de equipe. Na verdade, no Templo de Indianapolis, toda idolatria é permitida, até idolatrar uma vertente das corridas de Indy sem pistas ovais. Eca! Excentricidades à parte, existe uma curiosidade latente nos fãs de Indy que quer saber quem é o piloto mais idolatrado pelos fãs da categoria nos dias de hoje. 


Em outras épocas, os torcedores da Indy podiam optar por Foyt, por Mario, por Rahal, por Rutherford, por Sneva, por Gordon JoãoPinto, por Rodger Ward, por Parnelli Jones, pelos Bettenhausen, pelos Unsers, por Mears, Fittipaldi, Michael Andretti, Alex Zanardi ou por Arie Luyendyk. Mas quando as aposentadorias começaram a se intensificar e quase todos os grandes ídolos do passado foram saindo das pistas, novos ídolos teriam que preencher os lugares da "velha guarda". 

Dessa forma, no começo da década passada, acompanhamos o surgimento de pilotos como Montoya, Hornish, Vasser, Helio, Kanaan, Bourdais, Tracy, Wheldon, Dixon, Dario, entre outros. Fosse na IRL ou na CART/CCWS, os substitutos para os antigos ídolos da IndyCar estavam, cada um a sua maneira, lutando no asfalto para ocupar um espaço sagrado no Reino de Indianapolis. Montoya seria o primeiro a demonstrar talento suficiente para ocupar o espaço para as futuras lendas. Mas logo a categoria europeia que não corre em ovais fisgou o colombiano que, após conquistar as 500 Milhas, direcionou seus esforços para a F1, afastando-se progressivamente do público indyanista.

Hornish durante o período de 2000 a 2007, e mesmo com o tricampeonato na IRL (2001, 2002 e 2006) e a conquista de 2006 na Indy500 - em um dos finais mais espetaculares de todos os tempos -, também não conseguiu concretizar a tarefa de se tornar um ídolo carismático que representasse a categoria. Sam preferiu direcionar sua segunda fase da carreira para os carros de stock e a Nascar foi o destino no qual mergulhou em um ostracismo irreversível.

Por outro lado, Dixon, que é tetracampeão (2003, 2008, 2013 e 2015), campeão de Indianapolis em 2008, o maior vencedor de corridas em atividade e o quinto maior vencedor da história da Indy fez tanto para angariar fãs quanto Bob Marley fez esforços para parar de fumar erva. Até hoje Dixon passa despercebido em qualquer aeroporto do mundo, a não ser que você seja parte da família de Scott. É o multi-campeão invisível! E o Dixon não tá nem aí pra isso, diga-se de passagem: essa é a filosofia desse anti-herói das multidões. Bandeira Verde, por exemplo, é um dos dez fãs brasileiros de Indy que torcem pelo Dixon!

Bourdais, que trilhava sua carreira por uma Indy com poucos ovais, é tetracampeão (2004, 2005, 2006 e 2007) da sanção CCWS e jamais andou bem em ovais longos como Indianapolis ou Pocono. Tem o carisma de um caramujo com óculos e cara de nerd com mão peluda. Mas o seu talento para mistos e pistas de rua ainda está agindo. Contudo, não foi suficiente para colocá-lo como um multi-campeão popular na Indy e capaz de herdar um lugar de destaque entre os fãs. 


Dario Franchitti chegou a ter uma grande base de fãs, principalmente depois que conquistou a terceira Indy 500. O piloto escocês, tetracampeão do campeonato da Indy em 2007, 2009, 2010 e 2011, campeão das 500 Milhas em três ocasiões (2007, 2010 e 2012) e um grande estudioso do automobilismo mundial teve sua carreira encerrada precocemente em 2012 e deixou o espaço de um multi-campeão popular vago e muitos admiradores do seu talento órfãos.

Mas e daí, se o atual maior campeão da categoria (Dixon) não consegue ser popular e todos os outros multi-campeões não conseguiram/conseguem atrair a torcida americana, quem hoje é o piloto mais popular da Indy? Seria o Helio que é veterano e campeão de Indianapolis em três ocasiões (2001, 2002 e 2009)? Quase. Helio também é muito popular, mas não o mais. O piloto mais querido, mais procurado, mais venerado, mais parado na rua no mês de maio é o baiano Tony Kanaan!

Você duvida? Assista a apresentação dos 33 pilotos das 500 Milhas desse ano e tire a própria conclusão de quem foi o mais aplaudido por mais de 350 mil pessoas. Tony Kanaan, através da história de superação que carrega na biografia de sua carreira conquistou o público americano mais do que Hunter-Reay, Marco Andretti, Graham Rahal ou Helio Castroneves. 


Em 2013, quando enfim a maldição de Tony acabou e ele esculpiu sua cara de Vin Diesel no Borg-Warner, houve uma comoção como nunca antes haviam visto no IMS. Na centésima edição, quando Tony assumiu a liderança ultrapassando o americano Hunter-Reay as arquibancadas quase vieram abaixo. Bonés, chapéus e mãos para o alto para louvar o pequeno brasileiro que não morreu e se fortaleceu. Que lutou e superou a si mesmo. 

Então, sem medo de estar com pachequismo, baseado unicamente nas imagens impressionantes dos feitos desse baiano, eu posso afirmar aos amantes de teoria da conspiração, aos desocupados que caçam capitalistas quando assistem um brasileiro perdendo alguma competição nos Estados Unidos, aos que tem complexo de vira-lata e choram com a falta de um ídolo brasileiro para torcer, para vocês eu digo: o ídolo maior de Indianapolis HOJE é o brasileiro Tony Kanaan, futuro prefeito da cidade de Indianapolis!

TK no Círculo da Vitória



segunda-feira, 6 de junho de 2016

O fim de semana quase perfeito para Conor Daly em Detroit


PERFEIÇÃO - Em qualquer categoria do automobilismo só existe quando o piloto vence a corrida. Não existe vitória quando se termina no segundo ou no quarto lugar. Perfeito é quando você recebe primeiro a bandeira quadriculada enquanto os demais comem os marbles dos seus pneus. Assim, pura e simplesmente assim é no automobilismo. Entretanto, tal regra não se aplica para quem corre pelos times anões da Indy ou de outras categorias. Nem para quem torce por eles.

No sábado, Conor largou em 16º lugar e com as magias do bruxo das estratégias, Dale Coyne, foi capaz de escalar o pelotão de carros e finalizar a prova apenas dois segundos longe de Bourdais, a outra surpresa da tarde de sábado durante a primeira corrida de Detroit. A KV não é tão pequena quanto a DCR, mas também não é uma potência como a trinca Ganassi/Penske/Andretti. Pelo que foi a corrida 1 de Detroit, com Pagenaud comandando as primeiras 40 voltas, ver Bourdais vencendo pela trigésima quinta vez na Indy foi especial. Agora o francês igualou o número de vitórias de Bobby Unser, mas continua atrás no número de poles: 52 para Bobby X 34 para Bourdais.


Voltando ao grande resultado da Dale Coyne, devemos olhar também para o fato de que não é a primeira vez que o time mais pobre da Indy tem boas atuações em Detroit, mas foi a primeira vez que Conor Daly conseguiu um pódio. E um pódio com a Dale Coyne é pra louvar de pé, indyanistas! Você tem noção da felicidade do rapaz? "Isso foi como uma vitória. Nem acredito que estava tentando ultrapassar Bourdais e me defendendo de Montoya. Eu costumava assistir esses caras!!!" afirmou um sorridente Conor depois dessa "quase vitória".

No domingo, para a Corrida 2 de Detroit, Conor chegou a fazer um tempo digno de largar em quinto ou sexto, mas foi punido por provocar uma bandeira amarela e perdeu, como diz no regulamento, seu melhor tempo. Com isso, Daly viu-se obrigado a largar na vigésima primeira posição. Desânimo? Melancolia? Não para o menino de Indiana que outrora sonhou ser Campeão de F1, até que um dia acordou desse pesadelo caro e duvidoso. Focado na Indy, como Rossi está tentando ficar, Daly assinou com a menor equipe da categoria e em sua sétima corrida com o time anão o garoto crava dois TOP 10 seguidos entre Penskes, Ganassis e Andrettis. Sinal da qualidade de Conor, evidentemente. 


Você montar numa Penske, largar em 21° lugar em Detroit e terminar em 6º é quase que algo obrigatório para qualquer piloto que estiver montado em um carro do Roger. Agora, você estar com um carro da DCR e ter esse mesmo roteiro é digno das mais altas reverências de qualquer espectador da Indy. Talvez se tivesse largado em quinto ou sexto o resultado de Daly fosse melhor, talvez outro pódio, talvez uma vitória, quem sabe. Mas, independentemente da hipótese construída, o fato é que começa a fazer diferença atrás do volante de um carro de Indianapolis o filho Derek.

Poderoso Will venceu a corrida 2, com o líder do Campeonato, Pagenaud, na sua cola. Essa foi sua primeira vitória na temporada 2016, mas quem brilhou mesmo em destaque total foi o garoto de Indiana no carro #18. Aos poucos a juventude americana começa de novo a trilhar o caminho da glória dentro da categoria mais rápida do mundo!

CORRIDA 1

CORRIDA 2

Newgarden deve ser o destaque no Texas, sua primeira vitória em pistas ovais está a cada dia mais próxima! Até sábado Indyanistas, e todos mandem um belo:

>>>>>>>FODA-SE TV BANDEIRANTES, O CANAL QUE MAIS IGNORA A INDY <<<<<<<<

O centésimo aniversário do maior espetáculo das corridas: Rossi conquista Indianapolis!



QUANDO ROSSI - Cruzou a linha de tijolos na velocidade de um carro de Nascar e Bryan Herta gritou no radio "Você é o novo campeão de Indianapolis, cara!" a vida de Alex Rossi desestruturou por completo. Nascia na sua consciência, em meio às lágrimas, o amor por algo que até três meses atrás não significava nada além de uma corrida insana, talvez, no máximo, apenas uma boa oportunidade para manter o piloto californiano em forma fazendo uma temporada completa no grid de uma das categorias de monopostos secundárias no cenário mundial do esporte a motor.

A gente sabe que a velha Indy já não é mais a mesma de outras Eras. O tempo não perdoa, ele também agiu contra a fama e a glória do oval mais famoso do Mundo. O tempo pro Templo também passou em alguns aspectos. Passaram bons e maus administradores tanto pelo autódromo quanto pelo campeonato de Indianapolis. Mas a magia de um centésimo aniversário reavivou a beleza dessa pista para os olhos de uma multidão/geração de espectadores nunca antes atingida na história das 500 Milhas. Mais de 350 mil pessoas entupiram as dependências do IMS e deixaram Doug Boles, presidente da pista, satisfeito com o trabalho realizado por seus funcionários.


Rossi, e isso não é segredo pra ninguém, jamais teve a Indy como foco para sua carreira. Propositalmente direcionou todos os esforços para conseguir um carro na F1. Ignorou qualquer possibilidade de ir para a categoria americana de monopostos que corre em ovais enquanto foi necessário, e, quando cogitou a possibilidade de competir por lá, sempre destacou sua antipatia pelas pistas ovais. Até poderia correr na Indy, mas não correria nos perigosos ovais da terra natal, afirmava há pouco mais de um ano atrás. 

Nós, seguidores da velha Indy (e não conto aqui quem tem fetiche por siglas de sanção), sabíamos desde cedo sobre a falta de interesse de Alex pela América. Inclusive essa falta de interesse de Rossi pela Indy gerou antipatia de muitos para com o rapaz sonhador quando este resolveu participar pelo time do Herta da Temporada 2016 da Indycar Series.


 Então, quis a Fortuna que fosse a tradicional imprevisibilidade dos 800km de Indianapolis o elemento diferencial que desfocaria de vez o foco da carreira de Rossi na F1 e o redirecionaria para o certame da Indy. Dias depois da conquista, questionado sobre a possibilidade de voltar para a categoria europeia que não corre em ovais, após se sagrar campeão da corrida mais importante dos monopostos, Alex foi enfático em dizer que agora seus olhos só tem foco para essa a velha coroa chamada "Indy" e sua temporada equilibrada. Era amor após a primeira 500 Milhas do garoto!

E foi com muito equilíbrio que a corrida 100 se fez durante pouco mais de três horas de duração. Desde o começo quando Hinch tomou a dianteira, até o fim, quando Rossi herdou de Muñoz a vitória que todos os pilotos da história da categoria almejam/almejaram, o maior espetáculo das corridas foi de fato a mais divertida corrida do ano no quesito suspense. Para alguns fãs, contudo, o resultado final foi uma injustiça monstruosa contra pilotos muito mais esforçados em construir uma carreira na Indy como Newgarden, Muñoz ou Rahalzinho. Para outros, foi uma história de sedução e traição; de atração e repulsão; de adrenalina e comoção. Para mim, foi aquilo que Indianapolis escolheu como enredo de sua festa de aniversário. Nesse Templo os deuses da velocidade comandam as peças do tabuleiro a mais de 380km/h!     


CURIOSIDADE HISTÓRICA: Em 1966, quando Indianapolis completou seus primeiros cinquenta anos, a lenda de Mônaco, Graham Hill, herdou de Jackie Stewart a primeira posição restando apenas 10 voltas pro fim. Hill corria simultaneamente o Mundial de F1 quando se inscreveu para sua primeira prova no oval retangular. Cinquenta anos depois, outro piloto novato em Indianapolis e inscrito tanto na Indy quanto na F1 volta a vencer as 500 Milhas de Indianapolis. Assim fica fácil saber quem será o vencedor da edição 150 das 500 Milhas de Indianapolis em 2066, não? Nos vemos lá, indyanistas!!!

CORRIDA COMPLETA

segunda-feira, 23 de maio de 2016

NOS TEMPOS DA INDYCAR - Primeira fila das 500 Milhas de 2016: Centésima Edição!


A SUPERAÇÃO DE HINCH - Inspiração extra para a centésima edição do maior espetáculo das corridas perigosas!

"Canção do Tamoio" Autor: Gonçalves Dias

I Não chores, meu filho; Não chores, que a vida É luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, Que os fracos abate, Que os fortes, os bravos Só pode exaltar. II Um dia vivemos! O homem que é forte Não teme da morte; Só teme fugir; No arco que entesa Tem certa uma presa, Quer seja tapuia, Condor ou tapir. III O forte, o cobarde Seus feitos inveja De o ver na peleja Garboso e feroz; E os tímidos velhos Nos graves concelhos, Curvadas as frontes, Escutam-lhe a voz! IV Domina, se vive; Se morre, descansa Dos seus na lembrança, Na voz do porvir. Não cures da vida! Sê bravo, sê forte! Não fujas da morte, Que a morte há de vir! V E pois que és meu filho, Meus brios reveste; Tamoio nasceste, Valente serás. Sê duro guerreiro, Robusto, fragueiro, Brasão dos tamoios Na guerra e na paz. VI Teu grito de guerra Retumbe aos ouvidos D'imigos transidos Por vil comoção; E tremam d'ouvi-lo Pior que o sibilo Das setas ligeiras, Pior que o trovão. VII E a mão nessas tabas, Querendo calados Os filhos criados Na lei do terror; Teu nome lhes diga, Que a gente inimiga Talvez não escute Sem pranto, sem dor! VIII Porém se a fortuna, Traindo teus passos, Te arroja nos laços Do inimigo falaz! Na última hora Teus feitos memora, Tranqüilo nos gestos, Impávido, audaz. IX E cai como o tronco Do raio tocado, Partido, rojado Por larga extensão; Assim morre o forte! No passo da morte Triunfa, conquista Mais alto brasão. X As armas ensaia, Penetra na vida: Pesada ou querida, Viver é lutar. Se o duro combate Os fracos abate, Aos fortes, aos bravos, Só pode exaltar.



GP de Indianapolis 2016: Sapo rumo ao título da Indy


TRÊS VITÓRIAS SEGUIDAS - E Pagenaud hoje é o piloto número 1 da Penske e do Campeonato. Depois de um 2015 complicado e com resultados decepcionantes, hoje Sapo é o piloto a ser batido na Indy, herdou a posição de protagonista deixada por Power nessa temporada e parece estar mais do que imbatível em mistos e pistas de rua. Nos ovais Pagenaud ainda precisa de uma vitória para deslanchar. E por falar em Power, que campeonato meia-boca vem fazendo o Poderoso Will, né? Nem perto de lembrar os desempenhos insanos de anos passados. Nem nos treinos livres Power consegue aparecer com frequência entre os primeiros.

A corrida foi a típica corrida em misto com carros de Indianapolis: estratégias contando muito, diversas ultrapassagens entre os carros das posições intermediárias e algumas amarelas para temperar o prato do fim de semana. Com um carro irregular durante os treinos livres e classificatório, Helio Castroneves brilhou e por alguns segundos deixou escapar a primeira posição após Roger Penske e o time Penske dar um show de eficiência e tirar o brasileiro do meio do pelotão para a segunda posição da corrida. De tirar o chapéu!

Na terceira posição veio o Prefeito Hinch e seu carro dourado para lembrar a todos que o canadense está pronto pra lutar por vitórias na Indy e trazer o time de Sam Schmitd de volta aos grandes resultados. Rahal, que largou lá do fundão depois de ser punido, brilhou mais uma vez e deixou registrada outra atuação de gala do jovem piloto com nome famoso no mundo da velocidade. 


A cada dia que passa me impressiona mais o desenvolvimento tanto do piloto Graham quanto do time RLL. Entretanto, na minha opinião, falta um companheiro de time e o melhor a ser escolhido é justamente Pigot, que participou no segundo carro do time do tio Bobby Rahal e, diga-se de passagem, foi muito bem no misto de Indianapolis. Spencer terminou em 11º lugar e demonstrou mais uma vez capacidade de chegar a resultados impressionantes se tiver tempo e espaço na categoria. Abre o bolso Letterman!!!

Coisa linda também foi ver nosso amado "time mais pobre da Indy" comandando a corrida com o carro #18 do Dale Coyne por exatas 14 voltas (da volta 46 até 59). Conor Daly, ajudado pelo mestre estrategista Dale, brilhou mais uma vez com atuação destemida diante dos grandes times. Conquistar o sexto lugar depois de ter largado da décima oitava posição é pra aplaudir de pé no templo, Indyanistas!!! Sensacional, Conor!


Dessa forma, Pagenaud abriu uma bela vantagem para o segundo colocado no Campeonato, o tetracampeão Scott Dixon, e se tornou definitivamente o principal dos candidatos ao título de 2016. E mesmo que vá mal em na pista oval de Indiana, em seguida, Pagenaud tem uma rodada dupla em Detroit, lugar onde sempre anda entre os ponteiros. Isso pode proporcionar uma bela vantagem pro francês antes da série de pistas ovais que devem dar uma embaralhada no TOP 5 do campeonato. 

Agora é 500 Milhas de Indianapolis! HAJA CORAÇÃO!

CORRIDA COMPLETA (ESPN3 Latina)

Anacronismo em Barber


E SE... - E se os chassis fossem  da Lola e da Reynard? E se os pilotos envolvidos fossem Michael Andretti e Jimmy Vasser ou Bobby Rahal e Al Unser Sr. ou Alex Zanardi e Gil de Ferran ou Cristiano da Matta e Paul Tracy? E se a corrida de Barber esse ano estivesse sendo realizada em Portland ou Cleveland, o que diriam vocês nostálgicos e amantes das coisas do passado?

Essa selvagem disputa na sinuosa e bela pista de Barber entre Pagenaud (do time grande, do time rico, do time forte) e Rahal (do time pequeno, do time fraco, do time pobre), depois de um domínio absoluto de Pagenaud por mais da metade da corrida, se fosse em outra época, com outros nomes, ficaria imortalizada na memória dos jovens que estivessem assistindo a batalha. No futuro, eles recordariam entusiasmados da habilidade do francês em voltar da grama e ainda vencer a prova como uma vitória de marca maior e rotulariam esse evento como ímpar em competitividade.

Sim, a nostalgia é sempre mais amigável com as coisas do Passado do que com as coisas do Presente. Percebo que falta aos fãs da categoria, antes de mais nada, prazer em ler a história de cada corrida que vai sendo escrita volta a volta (página por página, capítulo por capítulo) seja em mistos, ovais ou ruas. Os personagens da atualidade parecem desinteressantes, um é francês, outro é um australiano doido, outro é um veterano, mas cadê o Emmerson Fittipaldi? Cadê o Rick Mears? Cadê o Gil de Ferran? Cadê o Arie Luyendyk? Cadê o Raul Boesel? - Será a crise dos trinta, a crise dos quarenta?

Aos indyanistas batizados depois da cisão, eu vos pergunto:

- E se um dia ou uma noite um demônio* se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela? (Extraído do livro A GAIA CIÊNCIA de F. Nietzsche)


CORRIDA COMPLETA DE BARBER

*Demônio no sentido grego, não no sentido cristão do termo.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Long Beach - Capítulo 2; Corrida 3: Apocalipse Indyânico 2016



APÓS O ESTRANHO GP DE PHOENIX - As profecias apocalípticas começaram a emergir dos fóruns da internet. Até onde a vasta rede alcança e a Indy é conhecida, do jeito bom ou do jeito ruim, as vozes foram quase unânimes: - "Long Beach foi um porre e o campeonato até agora foi um lixo!"

Analisando volta a volta, a corrida de 2016 foi como sempre foi Long Beach, a não ser pelo fato extraordinário de nenhuma bandeira amarela ter sido acionada durante a corrida. É típico, nessa pista de rua, que o pole lidere boa parte da corrida (chuto que 85% das corridas ali tiveram esse tipo de roteiro, se duvidar assista os vídeos de cada uma das edições da prova sancionada pela Indy, tem tudo completinho no Youtube) e que boa parte das disputas aconteça durante as relargadas pós-bandeiras amarelas e durante as janelas de pits.

Pois então, a corrida de Long Beach desse ano não teve bandeiras amarelas, nada, nenhum errinho bobo do Kimball, nenhum apêndice aerodinâmico do time Andretti "descansando" no meio da reta, nada de um pneu furado dos Penskes ou uma rodada marota pra proteção de pneus de um carro da Coyne. Nem o Sato conseguiu aprontar alguma coisa, muito pelo contrário, foi justamente ele um dos raros pilotos a proporcionar um espetáculo a parte, um dos poucos a ousar lindas batalhas por posições: uma vez contra Power e outra vez contra Montoya.


E assim, por causa da ausência de bandeiras amarelas, todas as estratégias acabaram afetadas pela corrida limpa de confusões, desgraçando de maneira mais severa os times anões que ficaram limitados então "a seguir o líder". Sem a chance de ousar uma mudança na estratégia, todos os times foram obrigados a fazer o convencional nos pits e esperar que o piloto resolvesse na pista, ultrapassando e escalando o grid na raça e em bandeira verde. 

Com o agravante de que hoje, com a guerra dos aerokits, está mais difícil ultrapassar e que o traçado de Long Beach tem apenas um ponto real para ultrapassagens, a corrida realmente não poderia ter agradado nem gregos e nem troianos. Pouco efeito sobre o humor dos indyanistas insatisfeitos teve a polêmica manobra de Pagenaud na saída do pit. De acordo com a regra, Simon teria 'cortado caminho' e com isso teria se beneficiado para manter-se a frente de Dixon para o restante da prova.


Teria ficado feio para o pessoal do Race Control se alguma alma bondosa não tirasse um print da Tv americana do exato momento em que Dixon saía de uma parada no pit. E ele faz a mesma coisa que Pagenaud, sem ter levado punição. Assunto encerrado, certo? Certo. A única coisa que me deixou um tanto incomodado foi o fato de que nenhum responsável por marcar as linhas e áreas de infração pensou na simples possibilidade de colocar dois pequenos cones alaranjados na saída dos pits. Não seria mais simples e eficiente para punir manobras dos malandros dos grandes times? Ora ora galera, não custa nada fazer o óbvio!

Agora, com duas corridas entediantes e mórbidas, as portas para mais um Apocalipse Indyânico se abriram. Pior: a clara demonstração de que Pagenaud é o grande candidato ao título e o piloto a ser batido durante as outras etapas do campeonato, mesmo nos ovais, tipo de pista que Pagenaud ainda não venceu. Entretanto, se você respeita pilotos veteranos, sabe que o segundo lugar de Dixon é apenas um dos sinais de que a víbora de gelo está espreitando mais um título. Se Pagenaud ou outro piloto bobear, Dixon é Penta!