segunda-feira, 4 de maio de 2015

INDY500 - De quem não devemos esperar muita coisa?


AQUELES QUE NUNCA TERÃO AS 500 MILHAS? - Olhando o grid atual para as 500 Milhas, e usando a frieza do raciocínio através das estatísticas gerais de cada piloto, aqui estão os nomes daqueles que, provavelmente, nunca vencerão o maior espetáculo das corridas de monopostos!

1 - SEBASTIEN BOURDAIS
Ele tem muitos fãs, é tetra-campeão da extinta Champ Car (2004 a 2007), tem 15 vitórias em circuitos mistos, treze em circuitos de rua e venceu quatro vezes em pistas ovais. Essas quatro vitórias virando só para a esquerda foram em Milwaukee, Lausitz e Las Vegas. Sua primeira tentativa em Indiana aconteceu em 2005, quebrou faltando duas voltas pro fim. Largou em 15º, finalizou em 12º. Depois veio um distanciamento de três anos dele com as corridas da Indy que viram só para a esquerda. Em 2011, ele retornou para um projeto de correr apenas nos mistos; ovais não o interessavam naquele momento da carreira. Não especularei a razão dele preterir os ovais nesse retorno, Bourdais preferiu fazer uma readaptação a Indy só correndo mistos e rua e problema é dele, ou dos patrocinadores dele. 

Com a mudança de chassi e motores acontecendo em 2012, Tião resolveu então voltar a correr nos ovais da Indy. Só que em Indianapolis a coisa não foi tão tranquila pro piloto francês como ele gostaria que fosse. Nos três desafios que teve por lá, Bourdais largou em 25º nas 500 Milhas de 2012 e finalizou em 20º. No ano seguinte, Tião largou em décimo quinto e bateu sozinho nos pits durante a última parada para reabastecimento e troca de pneus, na volta 178. Foi patética a situação para alguém tão experiente e Bourdais expressou isso esmurrando o carro após estacioná-lo com a suspensão dianteira quebrada. Ano passado, Bourdais enfim conseguiu fazer seu primeiro TOP 10 após quatro tentativas no maior espetáculo das corridas: largou em 17º e finalizou em 7º. 

Para esse ano Bourdais terá como companheiros de time Coletti e Clauson, na KV. Um era piloto na GP2 com experiência zero em pistas ovais, o outro é piloto da USAC e fará sua segunda participação nas 500 Milhas. Bryan tem muita experiência em ovais de terra, mas quando a pista é asfaltada... Diferente da força que demonstra a CFH com Carpenter, Newgarden e JR Hildebrand, a KV vem com três carros também, porém, sem um líder bom de braço em ovais. Bourdais, que naturalmente seria o líder desse time devido ao currículo que tem, não costuma fazer boas corridas em pistas que viram pro mesmo lado desde a reunificação em 2008. Seu currículo na Indy pós-2012 tem como melhor resultado em ovais o 7º lugar em Indianapolis em 2014. E só. Em todos os demais, o resultado foi abaixo do TOP 10.


2 - WILL POWER

Ele é o último campeão da categoria, ele venceu as 500 Milhas de Fontana em 2013, ele venceu uma rodada no Texas em 2011, ele venceu em Milwaukee ano passado, ou seja, Power evoluiu e muito suas atuações em pistas ovais desde que estreou na categoria americana, inclusive marcando também sete poles em pistas com curvas só para a esquerda. Só que se tem um piloto que demonstra sentir o peso de Indianapolis, e não ter condições de duelar contra os medalhões das pistas ovais quando chega aquelas 10 voltas finais para a glorificação no Templo, esse alguém é Will Power. O australiano já largou em segundo, em terceiro, em quinto, em sexto, em nono, em vigésimo terceiro e o mais perto que chegou da vitória foi marcando o quinto lugar em 2009. O restante de seus resultados finais nas 500 Milhas de Indianapolis são abaixo do TOP 5: 13º em 2008, 8º em 2010, 14º em 2011, 28º em 2012, 19º em 2013 e 8º em 2014. Ele não é bobo, não é fraco, mas até hoje nunca conseguiu ser competitivo em Indianapolis como já foi em Fontana, Texas e Miwaukee. Em Indianapolis, Poderoso Will invariavelmente é da mesma espécie daquilo que chamamos "Cavalo Paraguaio": larga bem e no fim termina mal. 

3 - CHARLIE KIMBALL
  
Insulina Boy vai para mais um ano guiando o carro #83 da Ganassi com um retrospecto modesto diante de seus companheiros de equipe em Indianapolis. Para desânimo do meu amigo Gray Fox, fã do Charlie, Kimball é o meu terceiro colocado na lista de "não-favoritos" para a nonagésima nona edição do maior espetáculo das corridas. Exceto pelo inesperado segundo lugar em Pocono, em 2013, nosso amigo diabético não obteve grandes resultados nas pistas que viram só para o lado esquerdo. O piloto anglo-americano conseguiu seus melhores resultados nos circuitos mistos e de rua, sendo que em Mid-Ohio Charlie marcou sua primeira vitória na categoria. Analisando o desempenho dele durante as provas em ovais nunca observei um potencial talento para fazer frente aos pilotos do próprio time ou fazer frente aos tradicionais medalhões da categoria. Dessa maneira, não conseguindo fazer frente nem aos concorrentes do próprio time nem contra os pilotos dos times concorrentes da elite do grid, Kimball é um piloto intermediário guiando dentro de um time TOP nas pistas ovais. Quando correu na Indy Lights por dois anos seguidos (2009 e 2010) Kimball teve como melhor resultado em ovais um segundo lugar na Freedom 100, em Indianapolis. Resumindo: carta fora do baralho.

4 - PIPPA MANN

Desculpe-me a fãzinha da Pippa toda feliz em ver sua ídola tão de pertinho, me desculpe mesmo criança, mas as chances da esforçada Pippa de ganhar as 500 Milhas é perto de 0,1%. Além de estar guiando para uma das mais pobres equipes do grid, Mann está totalmente em desvantagem diante dos demais pilotos que já estão há anos correndo temporada completa ou pistas aleatórias. Para ela, e o carro rosa, a dificuldade é minimizar essa desvantagem em relação aos demais pilotos usando uma estratégia ousada de pit stop durante as 500 milhas e torcer para o maior número possível de confusões. É o único jeito dela vencer com um carro rosa da Dale Coyne esse ano, além de muitas orações dessa fã da foto.

5 - ORIOL SERVIÀ
Oriol está há muito tempo nessa brincadeira com carros velozes. É, ao lado de Helio, Tony, Dixon, Montoya, Lazier, um dos mais experientes do grid das 500 Milhas, com 195 largadas na Indy, 1 vitória (misto), 8 segundo lugar, 10 terceiro lugar, 14 quarto lugar e 18 quinto lugar. Quando o assunto são só provas em ovais, Oriol largou em 57 corridas nesse tipo de traçado, marcou 3 segundo lugar, 2 terceiro, 4 quarto, 6 quinto lugar. Nenhuma vitória. Então você acha que esse ano, participando apenas da etapa de Indianapolis, baixará o Rick Mears no Oriol e ele desbancará Ed, Helio, TK, Montoya, Dixon, Pagenaud, Caçador e mais uns três candidatos ao Victory Lane? Não, né?! O espanhol no máximo pegará um TOP 5. 

domingo, 3 de maio de 2015

INDY 500 - Meu TOP 5 de favoritos para 2015


ALEA JACTA EST - Usando as forças intuitivas mais aguçadas e delirantes, que adquiri após venda de alma para alguma entidade rica da metafísica, essa semana desvendei as linhas do destino da nonagésima nona edição das 500 Milhas de Indianapolis: quem será o piloto ao qual o sol iluminará no fim da tarde de domingo, dia 24 de maio?

1 - ED CARPENTER

Esse é o meu favorito entre os favoritos. Nos ovais, Carpenter flutua entre os cinco primeiros colocados na maioria das etapas com DW12, particularmente com mais eficácia em Fontana, Texas e Indianapolis. Não costuma ir tão bem no oval curto de Milwaukee, mas mantem certa competitividade no oval curto de Iowa. Se você tem dinheiro e quer fazer uma aposta o piloto mais indicado para o investimento é exatamente Ed. Sem contar que esse ano será o primeiro de Ed junto com o time CFH, reforçado por Josef Newgarden e JR Hildebrand para as 500 milhas. O esquadrão da CFH promete incomodar muito os grandes esquadrões de Andretti, Ganassi e Penske na principal corrida do calendário. Ed é o melhor entre os três nas pistas com curvas só para a esquerda.

2 - HELIO "Spider Man" CASTRONEVES

Após mais um vice-campeonato em 2014, dessa vez diante do companheiro de time Will Power, Helio recomeça muito bem essa temporada 2015 da Indy. O brasileiro chega a Indianapolis como vice-líder do campeonato, dois pontos atrás do colombiano Juan Pablo Montoya. E a química do brasileiro com as 500 Milhas é impressionante. É o piloto do grid atual mais vezes campeão das 500 Milhas com 3 conquistas; está num carro da Penske e usará mais uma vez o número #3 que já venceu 11 vezes as 500 Milhas ao longo de quase um século de corridas. Ano passado a quarta vitória passou por entre os vãos dos dedos de Helio. Esse ano, no auge de sua experiência na categoria mais rápida do automobilismo, talvez o quarto triunfo abrilhante ainda mais a gloriosa carreira de Castroneves na Indy. Helio carrega o recorde de ser o piloto do Brasil que mais venceu em pistas ovais na Indy: 16 vitórias dele contra 14 de Tony Kanaan e 7 de Emerson Fittipaldi. 

3 - TONY KANAAN

Guiando a Ganassi #10, que era do amigo Dario Franchitti, e com o retrospecto muito respeitável em três das últimas cinco 500 Milhas de Indianapolis, Tony é um dos principais nomes entre os favoritos para qualquer corrida em Iowa, Milwaukee, Indiana, Fontana ou Pocono. Falou em piloto bom de oval? Tony Kanaan é um dos grandes pilotos ao lado de Carpenter, Dixon e Helio na Indy. Desde o começo da nova década (sim, minha ideia de década começa em 10 e não em 09, pode estar errado, mas não me importo com isso), TK finalizou fora do TOP 10 apenas duas vezes: décimo primeiro em 2010 e vigésimo quarto em 2014, devido a problemas mecânicos. Nos outros anos TK conquistou quarto em 2011, terceiro em 2012 e glorificou sua carreira em Indianapolis em 2013. Alguém dúvida que o grande TK estará brigando pelo bicampeonato de Indianapolis?

4 - JUAN PABLO MONTOYA

Será só a terceira 500 Milhas de Indianapolis da carreira de Montoya, muito menos do que grande parte dos 33 concorrentes de 2015. Porém, ele é MITOya, o grande campeão que ano passado, em seu retorno para uma corrida de oval em monopostos, marcou um excelente quinto lugar no maior espetáculo das corridas. A primeira participação de Montoya foi em 2000, e mesmo sendo rookie o colombiano destruiu tudo e todos e sagrou-se campeão das 500 Milhas. Só sendo muito cego, surdo e louco para descartar Pablito do quadro de favoritos para se apostar na corrida desse ano. Não importa o chassi, Montoya entra e faz de tudo pela vitória. Ainda mais hoje que ele é líder do campeonato e está diretamente interessado no seu segundo triunfo dentro do Templo da velocidade extrema.


5 - MARCO ANDRETTI

 Loucura? Demência? Não, caros indyanistas, mil vezes não! Isso aqui é apostar no misticismo existente nas 500 Milhas, formado ao longo de décadas; é apostar na curiosa tragédia que acompanha a família Andretti desde que Mario sagrou-se campeão em 1969 e amaldiçoou o nome "Andretti" dentro de todas as 500 Milhas posteriores. Mario tinha tudo para ser bi, tri, tetra e até penta das 500 Milhas. No entanto, a maldição não parou de agir desde o dia seguinte a única glória da família dentro do Templo. Marco é mais um Andretti que anda bem em Indianapolis, costuma classificar nas filas principais, mas é destruído durante o desenrolar da trama da prova. Ano passado Marco assistiu seu companheiro de time bater Helio em um duelo espetacular e ficou apenas com o terceiro lugar. Em 2013 marcou um quarto e outro terceiro em 2010. Isso sem citar o segundo lugar amargo de 2006 para Sam Hornish, no ano de estreia de Marco em Indiana. Porém, um sonho psicodélico me mostrou que 2015 tem tudo para ser o ano do fim da maldição Andretti em Indiana. Eu assustei com a visão, acho muito improvável, Michael tentou por anos sem sucesso e Marco é só o Marco, não vive uma fase boa. Mas... 2015 tem a cara de ser um ano notável de grandes surpresas na Indy, e a quebra da Maldição Andretti tem tudo para ser um desses capítulos excêntricos da categoria!

sábado, 2 de maio de 2015

INDY500 - Fotos & Fatos no Túnel do Tempo do Templo


MÊS DE MAIO COMEÇOU! - E como de costume temos a péssima lembrança do primeiro de Maio de 1994. Senna, o herói da época, buscava um lugar na galeria dos tetracampeões de F1 e guiava, portanto, o carro daquele considerado o "Time TOP" da categoria. Foram três poles seguidas, dois abandonos frustrantes e o acidente fatal em San Marino. Roberto Cabrini deu a notícia da morte de Ayrton perto do almoço de domingo. Chorei muito naquele dia, era meu herói e o de muita gente mundo afora. Era o fim trágico de um ídolo diante das câmeras, ao vivo, com muito sangue misturado à brita e um grande desespero dos médicos e repórteres do mundo todo para saber o que fazer diante daquilo que acontecia: a morte de um mito dentro da pista de corrida! A foto ali de cima é referente a homenagem que Simon Pagenaud, hoje na Penske que um dia quase trouxe Senna para a Indy (assista o treino de Senna com a Penske em 1993 com cobertura da Bandeirantes AQUI), fez durante as 500 Milhas do ano passado. 

E por falar em 500 Milhas e o mês mais importante do ano para a categoria americana de monopostos que corre em ovais, vamos para o Túnel do Tempo do Templo que esse ano realizará a edição de número 99 das 500 de Indianapolis.


RETROCEDER NUNCA, DESISTIR? JAMAIS! - Na segunda edição das 500 Milhas, em 1912, o italiano naturalizado americano Ralph DePalma liderava a corrida desde a volta 3 quando seu carro quebrou na volta 198, dando oportunidade para Joe Dawson ultrapassá-lo e cruzar a linha de chegada em primeiro. Mesmo assim, DePalma não desistiu de finalizar as 500 Milhas, foi assim que decidiu descer do carro e o empurrar para receber a bandeira quadriculada. Esforço recompensado com uma salva de palmas do público. A imagem do fato foi fotografada e hoje faz parte da lendas de Indianapolis.



VELOCIDADE EXTREMA - O vencedor da primeira 500 Milhas, Ray Harroun, teve velocidade média de 121 km/h em 1911. Não é difícil compreender a euforia de todos presentes no Indianapolis Motor Speedway quando Parnelli Jones, em 1962, atravessou a barreira dos 240km/h!!!

Tom Sneva (esse senhor com capacete amarelo fazendo o sinal do "peace and love"), em 1977, atingiu o feito que deixou todos os presentes boquiabertos: 321 km/h!!! Isso nos anos 70!!! Será que um dia no futuro, com o desenvolvimento de carros mais seguros, poderemos romper a barreira dos 400 km/h??? Seremos surpreendidos como foram os indyanistas dos anos 60 e 70?!!

COMEMORAR BEBENDO LEITE - O ato inaugural da tradição de beber leite no "Victory Lane" de Indianapolis foi realizado pelo piloto Louis Meyer, um jovem novaiorquino filho de imigrantes franceses, depois da vitória em 1936. Disse Meyer, na época, que sua mãe ensinou a ele beber leite depois de uma jornada grande de trabalho exaustivo. Não é preciso nem explicar que, logo depois do ato inusitado para ingerir muita Vitamina D e Cálcio, vários homens do agronegócio de Indiana se interessaram em associar a produção leiteira da região ao campeão das 500 Milhas. Nascia assim a tradição que só foi quebrada em 1993 quando Emerson Fittipaldi bebeu suco de laranja no "Victory Lane" (com o intuito de promover sua própria produção de laranja aqui no Brasil). Tiro publicitário esse que saiu pela culatra já que todo mundo repudiou a atitude um tanto forçada do brasileiro. 

P.S.: A tradição de estourar champanhe e esguichar nas pessoas que estão em volta nasceu após uma vitória de dois americanos na mais tradicional prova da Europa. Dan Gurney e A.J. Foyt em 1967 venceriam as 24 Horas de Le Mans e no pódio resolveram estourar um champanhe. BAZINGA!!! Hoje é o gesto mais conhecido quando se trata de F1 e outras competições após cada comemoração.


ESTATÍSTICA DOS NÚMEROS NA INDY 500 - O número mais vencedor das 500 de Indianapolis é o #3 com onze vitórias. O segundo mais vencedor com oito vitórias ao longo de quase 100 anos é o #2. Em terceiro lugar aparece o número #1 com sete, em quarto o #5 e o #14 sagrado de A.J. Foyt, ambos com 5 conquistas. Empatados em quinto lugar com cinco conquistas cada estão o #4 e o #6.

1 - #3 (Esse ano Helio Castroneves usará esse número)
19191948196219681974198119861991199220022009

2 - #2 (Juan Pablo Montoya usará esse ano esse número)

3 - #1 (Will Power usará esse número esse ano)
1923194019501958196119641971
4 - #14 e #5 (Sato e Hinch usarão esses números esse ano)
5 - #4 e #6 (Coletti e Hildebrand usarão esses números)


AS 500 MILHAS MAIS RÁPIDAS - Até 2013 a corrida mais rápida em Indianapolis havia sido a vitória de Arie Luyendyk em 1990 com o tempo de 2hrs41min18segs. A vitória de Tony Kanaan em 2013 diminuiu o recorde para 2hrs40min03segs. Ano passado, depois do final espetacular, Hunter-Reay marcou 2hrs40min48segs, apenas 45 segundos do recorde de Tony Kanaan. 

A média de velocidade na prova de 2013 foi de 301.644km/h, contando as baixas velocidades durante as bandeiras amarelas.

1 - Corrida de 2013
Tempo de duração: 2:40.03
Média de Velocidade: 301.644km/h

2 - Corrida de 2014
Tempo de duração: 2:20.48
Média de Velocidade: 300.244km/h

3 - Corrida de 1990
Tempo de duração: 2:41.18
Média de Velocidade: 299.307km/h

4 - Corrida de 1991
Tempo de duração: 2:50.00
Média de Velocidade: 283.984km/h

5 - Corrida de 1986
Tempo de duração: 2:55.43
Média de Velocidade: 274.750km/h

Durante o mês de maio, quando for possível, falarei da vasta história das 500 Milhas. Abraço a todos e marquem na agenda: 24/05 = o maior espetáculo das corridas de velocidade extrema!!!

domingo, 26 de abril de 2015

Newgarden conquista Barber


A PRIMEIRA VEZ A GENTE NUNCA ESQUECE - Não é de hoje que Newgarden é apontado por especialistas em corridas de carro como o mais promissor piloto americano da Indy. Entretanto, a vitória não havia glorificado sua carreira até hoje em Barber. Na verdade, correr sempre em times pequenos complica a vida de qualquer novato diante de Dixon, Helio, Montoya, TK, Bourdais e outros veteranos, que são competitivos e dão pouca chance para quem é novo na categoria. 

E não foi uma vitória onde o fraco foi beneficiado por milhões de bandeiras amarelas e fazendo uma estratégia maluca (como Hinch em NOLA esse ano) consegue a vitória. Não, não foi assim. Newgarden GANHOU essa corrida, ele foi MELHOR do que os outros 22 carros. Ele teve méritos, largou em terceiro, passou como uma flecha por Will Power e depois caçou ferozmente a liderança. Foi quando durante o primeiro pit o time Penske cometeu um de seus vários erros na corrida de hoje. Uma porca saiu voando da pistola do mecânico (huuuuuummmmmm essa frase ficou muito homo, fato!) e o time da nanica CFH não vacilou: o primeiro lugar era de Josef!


Helio, que largou na pole, foi bem até o primeiro pit stop. Depois disso a corrida dele decaiu ao ponto de um final melancólico, com uma pane-seca. A liderança do campeonato seria dele caso mantivesse seu carro dentro do TOP 5. Não deu. O brasileiro marcou um péssimo 15º lugar, e permitiu que Montoya mantivesse a ponta do certame. Dixon, revestido de um carro-coca, já é o terceiro no Campeonato de pilotos, 12 pontos apenas do brasileiro. Já ouviram falar sobre "se deixar Dixon chegar...tchau!"? Pois é. Ele tá ali, na caça do tetracampeonato. 

Tony Kanaan, companheiro de Dixon, não teve um bom rendimento durante toda corrida. Nem mudando de estratégia, mesmo mudando de pneus, não deu, não adiantou, foi um final de semana esquecível. Bom ter somado os pontos e agora é pensar no mês de maio e projetar uma grande recuperação em busca do bicampeonato pro baiano.


Will Power, por sua vez, teve um dia "Nigel Mansell" e terminou ao melhor estilo Poderoso Will de se recuperar depois de fazer muitas lambanças. Azar de Sato que estava no seu caminho. Ah se AJ. Foyt estivesse presente nos pits! Se cuida, Sr. Roger! O bicampeonato ainda não é um sonho distante, mas ficou claro que Power precisa se cuidar bem mais durante as corridas. E cuidar principalmente do que faz pros outros. Depois não adianta jogar luvas nos rivais.

Power saindo como 'louco'
dos pits e batendo em Sato

Mas o destaque absoluto da prova foi, além de Newgarden, Rahalzinho. Ele recebeu aplausos do pai (Bobby Rahal) depois de grandes ultrapassagens e empolgou a todos no final de prova quando passou Dixon na última volta e conquistou um heroico segundo lugar para a Honda. Hunter-Reay, que largou em 15º subiu 10 posições e finalizou a corrida em 5º, destaque total para a recuperação do Caçador. Enfim pudemos sentir a participação real de uma segunda marca entre os cinco primeiros colocados de uma corrida sem grandes imprevistos. 

Batida entre JJ e Coletti

Em suma: foi um corridão, com uma surpreendente e rara "dobradinha" americana (chega a ser irônico dizer isso, não?), a melhor corrida em mistos da Indy que vejo em muitos anos e ainda bem que aconteceu na linda pista sinuosa de Barber - talvez um dos cinco mais belos circuitos americanos em atividade. Melhor lugar não haveria para receber um espetáculo de tal nível. Se você gosta de pistas mistas e corrida com muitas ultrapassagens e estratégias, essa é a corrida a ser assistida. 

Classificação do Campeonato após Barber

A próxima parada é no templo sagrado da velocidade. O GP de Indianapolis, no misto, acontecerá dia 9, sábado à tarde, daqui a duas semanas. Aguardemos ansiosos a chegada do mês de maio para a categoria mais rápida do mundo!

Melhores momentos da corrida com a melhor dupla de
narradores da Indy na América!


domingo, 19 de abril de 2015

Kiwi na busca do tetracampeonato em Long Beach



A "MÔNACO" NORTE-AMERICANA - A beleza natural de Long Beach salta aos olhos de qualquer fã da velocidade que pare um minuto para assistir uma única volta onboard de um carro de Indianapolis no tradicional circuito de rua. Coqueiros, a fonte com os golfinhos, uma praia imensa de fundo, uma marina de dar inveja a qualquer marinheiro; em suma, o cenário perfeito para uma corrida de carros velozes e pilotos furiosos.


A largada aconteceu sem nenhum acidente e com uma formação em fila dupla mal-feita e que não deveria ter recebido a bandeira verde do convidado especial Adrian Fernandes, ex-piloto da Indy. Os pilotos, que nada tem a ver com isso, largaram praticamente em fila indiana e só Dixon arriscou mesmo em cima de Montoya, fazendo uma boa ultrapassagem na freada da Curva 1. Como está brigando pelo campeonato, Montoya não foi irresponsável e sequer esboçou qualquer defesa pela posição. Antes os pontos de um TOP 5 do que de um décimo quinto lugar deve ter pensado o colombiano. 


Dessa forma, Helio, que foi pole, logo abriu uma boa vantagem para o neo-zelandês da Ganassi e por boa parte da prova tivemos as primeiras posições inalteradas no TOP 5, ao contrário do pelotão intermediário onde tivemos algumas disputas mais intensas. Aí aconteceu a primeira amarela, na volta 7. O bico de Gabby Chaves caiu no meio da pista depois de um toque e a prova parecia caminhar para mais um dia infernal de paralisações com amarela seguindo amarela. Contudo, ainda bem, isso não aconteceria ao longo das voltas restantes.

Ao sinal da primeira amarela, muitos pilotos da parte do fundo do grid pensaram a mesma coisa: antecipar a parada para ganhar algumas posições na sequência da prova caso acontecessem muitas amarelas. Foi assim que na entrada dos pits tanto Filippi quanto Power conseguiram deixar os motores Chevy "morrerem" em uma pequena confusão. Luca perdeu 2 voltas e Power 1. Inacreditável acontecer isso para um dos melhores pilotos da categoria em pistas de rua e que já tinha tido grande azar quando Coletti, durante a qualificação, bateu e provocou bandeira vermelha justamente no momento em que Power iria abrir uma volta rápida. O azar já estava grudado no australiano desde sábado. A corrida só confirmaria isso.


E tudo ia tranquilo para Helio quando justamente Power, uma volta atrás, resolveu não abrir para o brasileiro. Dificultou. Recebeu um milhão de bandeiras azuis, ignorou todas. E a vantagem construída arduamente com uma pilotagem eficiente foi pro espaço. Dixon e Montoya aproximaram o suficiente para que durante a parada nos pits o brasileiro ficasse sem o primeiro lugar. E depois que você perde o primeiro posto para um tricampeão da Indy como é Dixon, tchau meu filho! Pega a gaita e vai embora, vai jogar poker, vai jogar FIFA no Playstation, vai visitar a namorada. O neo-zelandês é frio, calculista, monstruoso para abrir vantagens indestrutíveis quando está em primeiro lugar. E hoje ele teve a sorte de não ser uma corrida suja e cheia de amarelas. Foi a primeira vitória da Ganassi e mais um tapa na cara da suposta soberania que a Penske teria no campeonato. Dixon é Dixon, meu chapa!

Helio, que ficou a 2.2 segundos atrás de Dixon, manteve uma boa distância do terceiro colocado Montoya, pouco mais de 13 segundos. Já o colombiano nas últimas 10 voltas promoveu uma grande batalha contra seu companheiro Simon Pagenaud. Seguindo os dois da Penske estava TK e Bourdais esperando quem sabe por um enrosco. Mas isso não aconteceu. 


Evidentemente que muita gente que viu a corrida mundo afora vai dizer que foi morna, sem graça, sem emoção, limpa demais, sem momentos espetaculares e tal. Provável ser alguém que nunca acompanhou a Indy na "Praia Grande" por mais de duas vezes. Corrida por lá é, na maioria do tempo, com poucas ultrapassagens e só às vezes com muitas confusões. Duvida? Assista você mesmo uma corrida da Indy na época da CART e alguma das seis vitórias de Al Unser Jr. Entretanto, não é por isso que a prova em si foi uma porcaria. Eu gostei, como gostava na época da CART (viúva mode on). Mas quem odiou, que odeie. Nenhum problema nisso. 

A Honda, depois do ACASO de NOLA, novamente levou um pau da Chevy no TOP 10 da corrida. Apenas Marco Andretti (que ficou em oitavo) e Muñoz (que terminou em nono) estiveram presentes entre os dez melhores da corrida representando a Honda. A temporada da Indy para a marca japonesa parece reservar ainda grandes decepções nos próximos eventos. E estou achando que em ovais a surra não cessará. A Chevy acertou demais em ter um time fortíssimo como a Penske por trás dos testes do aerokit.

A classificação do campeonato já dá amostras de que o Brasil está na briga pelo título de pilotos com TK e Helio e que os Estados Unidos não terão ninguém para buscar a glória maior. Saí dessa "hONDA" Michael!


A próxima etapa acontecerá em Barber, dia 26 de abril. 



segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Dia do Prefeito Hinch na Louisiana



O TEMPO DESTRÓI TUDO (provérbio grego) - A drenagem da pista de NOLA não aguentou as pancadas de chuva que caíram durante todo fim de semana naquela região de Nova Orleans e o andamento da corrida da Indy hoje foi extremamente prejudicado por essa razão. Inclusive a corrida foi antecipada em quase uma hora devido ao medo de que uma tempestade desaguasse na pista dos pântanos.

Depois de uma largada limpa, o festival de bandeira amarela que se seguiu após a rodada de Gabby Chaves acabou deixando uma atmosfera entediante e broxante por quase duas horas de prova. Os comentários dos fãs na internet foram 99% negativos e lógico que os profetas do Apocalipse Indyanista atacaram com furor ímpar o futuro da categoria, chegando a dizer que a Indy vai morrer depois do que aconteceu em NOLA. Típico: quando alguma coisa dá errada, a viuvada pira e a evocação cataclísmica do fim é iniciada!

Uma dessas paralisações aconteceu por causa de um dos favoritos a pior piloto do ano (e talvez de todos os tempos) na Indy: DraCONE, que era retardatário e estava enfiado entre os cinco primeiros colocados, conseguiu destruir o bico do carro de Helio, que vinha em terceiro, em uma fechada desnecessária, após uma relargada, e, logo em seguida, na ida para os pits o "jênio" conseguiu atropelar o mecânico do próprio time. Um piloto lamentável que foi escolhido por Dale Coyne para manchar o nome do time esse ano. Além disso, Huehuehuehuehuehuertas, companheiro do Chico da Itália, também conseguiu rodar sozinho antes de uma relargada e foi responsável por uma das três mil paralisações que tivemos em NOLA.

O acidente medonho de DraCONE 
nos pits de NOLA

Outro acidente que chamou a atenção de todos foi o de Coletti, que rodou sozinho e comprovou o quanto o carro da Indy é um tanque de guerra em forma de carro de corrida. Mesmo depois da pancada fortíssima o monegasco conseguiu levar seu carro pros pits sem maiores problemas. Um feito impressionante para quem está acostumado a ver corridas de monopostos. Nunca vi um carro mais resistente que esse, com ou sem kit aerodinâmico, o DW12 é um verdadeiro Panzer das corridas! Se alguém conhecer carro mais resistente que esse nos monopostos, informe-me nos comentários.

Acidente de Coletti

Somente 47 das 75 voltas programadas aconteceram, sendo 31 minutos sob bandeira verde. Uma lástima para os fãs que quase lotaram as arquibancadas e para os telespectadores da Band que tiveram pela primeira vez a chance de ver uma prova ao vivo numa tarde de domingo (coisa que será rara esse ano, digassi di passagi!). Montoya e Power, desde o começo, davam amostras claras de que mais uma vez disputariam a vitória volta após volta, no entanto, desde que a corrida fosse daquelas "normais" e não do tipo "anormal" como aconteceu. O fato é que ninguém apostaria dinheiro nenhum do mundo que Hinchcliffe ganharia sua quarta corrida na Indycar, deixando a nação de fãs canadenses felizes da vida. Tudo graças a uma ousada estratégia do time SPM. E não foi só o James do Canadá quem conseguiu surpreender. O James britânico também brilhou com o resultado obtido em NOLA. E pode apostar que se a corrida tivesse mais duas voltas em bandeira verde Jakes ultrapassaria Helio Castroneves tranquilamente e faria uma dobradinha com o companheiro de time.

Mas um espetacular acidente envolvendo três carros (Pagenaud, Bourdais e o Caçador) ajudou demais as pretensões do velho Homem-Aranha do Brasil no campeonato de pilotos e ele marcou um sensacional segundo lugar na mais caótica prova da Indy dos últimos tempos, o que assegurou o segundo lugar também no Campeonato que ele tanto sonha ganhar pela primeira vez. Simona brilhou conseguindo ser a melhor piloto da Andretti na corrida e talvez tivesse carro para disputar a vitória contra os pilotos da SPM.

Bourdais teve muita sorte de não ter morrido

Agora a Indy tem que juntar os cacos dos carros espalhados pelos pântanos da Louisiana e repensar onde colocará a corrida de NOLA no calendário. Em abril vimos que não dá certo. 

"Melhores" momentos do GP de NOLA


Classificação do Campeonato após duas etapas

Mesmo sabendo das circunstâncias, é admirável ver Simona em sexto lugar no Campeonato de pilotos. Um talento que a F1 quase fez fenecer antes do tempo!

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Indy Lights 2015: assista a rodada dupla de St. Pete


UM GRANDE PILOTO VINDO DE DUBAI? - A Indy Lights começou bem para a equipe Carlin, que cruzou o oceano Atlântico a fim de expandir seus negócios dentro dos monopostos. O sonho é declarado: disputar a categoria principal (a Indycar Series) e disputar de igual para igual contra Penskes, Ganassis e Andrettis. Entretanto, seguindo a metodologia dos espertos, antes desses embates na categoria principal, a Carlin resolveu começar um degrau abaixo. Inscreveu dois carros para a Indy Lights 2015 e escalou o "Menino de Dubai" Edward Jones e o experiente ex-piloto de F1, Max Chilton, para fazer o serviço. 

E foi Ed Jones quem logo se destacou durante essas duas etapas da Lights em St. Pete. Foram duas poles e duas vitórias com autoridade. De cara o "Menino de Dubai" deixou sua marca na categoria de acesso para a Indycar e mostrou potencial especial para guiar carrinhos de roda-aberta também na América. 

Para os amigos indyanistas que não acompanharam as duas corridas ao vivo, encontrei uma delas na íntegra (a Corrida 2, realizada no domingo antes da corrida da Indycar Series) e os melhores momentos da outra (que ocorreu no sábado). Então, repasso agora para quem quiser acompanhar a excepcional estréia desse menino de 20 anos e com nome de piloto da NASCAR.   

Jack Harvey é outro piloto que é bom você ficar de olho: pilota muito esse britânico! Além disso tem Spencer Pigot, americano campeão da Pro Mazda ano passado. Matt Brabham, meu piloto favorito no Road To Indy, não conseguiu boa sorte e teve um fim de semana discreto. Mas, mesmo assim, foi dele a volta mais rápida durante as duas corridas em St. Pete. 


CORRIDA 2 COMPLETA E
OS MELHORES MOMENTOS DA CORIDA 1


ENTREVISTA DO ROBIN MILLER COM ED JONES

Para conhecer a classificação do Campeonato da Indy Lights após a rodada dupla de St. Pete CLIQUE AQUI.